Atracadouro para transatlânticos seria construído, pela proposta do prefeito, entre os armazéns 6 e 7.
Nova simulação. À esquerda, a localização apresentada pela prefeitura ao governo federal, distante do ponto defendido por Docas
Polêmica. Paes faz proposta após três anos de debate.
O prefeito Eduardo Paes decidiu negociar diretamente com a União a mudança da localização do futuro píer em Y, que será construído na Zona Portuária, pela Companhia Docas, para receber transatlânticos.
Após conversar na quarta-feira por telefone com a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, Paes encaminhou a Brasília, ontem, uma proposta para que a estrutura seja remanejada e fique entre os armazéns 6 e 7.
Paes afirmou que o município está disposto a ajudar Docas com recursos caso as despesas com a dragagem do canal de entrada do Porto sejam maiores do que o calculado no projeto original, que prevê a construção do píer entre os armazéns 2 e 3.
A iniciativa do prefeito ocorre após quase três anos de negociações sobre a localização do terminal de atracação. Paes disse que passou todo esse tempo tentando convencer Docas de alterar o projeto.
No caderno de encargos dos Jogos de 2016, o Rio se comprometeu a ter 10 mil vagas de hospedagem em cinco transatlânticos no Porto.
O prefeito afirmou ontem desconhecer se as mudanças no projeto do píer poderiam comprometer ou não o prazo de entrega das obras até os Jogos. No entanto, ele diz acreditar que ainda há tempo:
– Eu estou preocupado com que a cidade tenha um equipamento de qualidade. A alternativa da prefeitura também cria a possibilidade de desalfandegar (liberar para circulação do público) os armazéns 1 e 2, integrando melhor a Zona Portuária ao Porto Maravilha.
A nossa proposta permite uma melhor integração do novo terminal de passageiros com o projeto de reurbanização do Porto. Além disso, vai evitar que os turistas tenham que fazer longas caminhadas até ter acesso a táxis ou outros transportes.
Docas admitia alterações
Em entrevista ao GLOBO na quarta-feira, o presidente de Docas, Jorge Mello, admitiu que o projeto poderia sofrer modificações. Mas argumentou que a obra corria o risco de não ser concluída até as Olimpíadas.
Segundo o prefeito, a discussão com a União não se limita a atender aos interesses para megaeventos como a Copa do Mundo ou os Jogos Olímpicos. E sim garantir que o que sair do papel ajudará a melhorar a infraestrutura turística.
– O menos importante nesse caso é se o projeto é de um píer em Y ou em E. Ou qualquer outra letra do alfabeto. Estamos dialogando diretamente com o governo federal porque a área pertence à Companhia Docas.
Se fosse partir para uma medida administrativa, ela não teria qualquer efeito legal. E Docas
conseguiria derrubar na Justiça – acrescentou o prefeito.
Imagens simulam mudança
Para convencer o governo federal, Paes encaminhou um relatório com imagens que simulam a localização do píer proposto pela prefeitura. Como justificativa, ele descreve os investimentos que a União está fazendo
direta e indiretamente para modernizar a Zona Portuária.
O projeto para implantar linhas de VLTs no Centro, por exemplo, recebeu recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade.
– Antes da ministra Gleisi, já havia comentado com a própria presidente Dilma Rousseff sobre a questão da localização do píer. O diálogo é possível e já trouxe avanços para o Porto. O Museu de Arte do Rio (MAR)funciona num palacete que pertencia ao Fundo de Previdência de Docas, cedido para a prefeitura.
E o Museu do Amanhí está sendo construído no Píer Mauá depois de anos de negociações com a União.
O prefeito também fez críticas à proposta alternativa apresentada por um grupo de arquitetos de construir um píer no formato em E. Ele argumentou que se reuniu com os autores da ideia, que entregaram croquis e uma maquete.
Paes ressaltou que a alternativa é conceitual, sem estudos detalhados dos custos. Ele disse que
ficou surpreso ao constatar que a proposta previa uma torre comercial nas imediações do píer em E, que, possivelmente, teria que ser autorizada pela prefeitura.