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Clippings - 06/11/09

País não pode prescindir de hidrovias para escoar a produção

As principais demandas do setor hidroviário foram discutidas, no último dia 4, durante o 1º Fórum sobre Hidrovias – A Contribuição do Transporte Hidroviário ao Meio Ambiente, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Segundo o coordenador da área de licenciamento de Transporte do IBAMA, Eugenio Pio Costa, não se faz licenciamento de uma hidrovia inteira, mas apenas de um empreendimento pontual. Na sua concepção, implantar uma hidrovia é muito mais seguro e barato do que outros modos de transporte, do ponto de vista ambiental.

O superintendente de Usos Múltiplos da Agência Nacional de Águas (ANA), Joaquim Gondim Filho, opinou que a principal dificuldade para navegação é a construção de barragens sem a realização de obras de transposição. Gondim Filho alertou que há um conflito entre a navegação e a geração de energia, pois a usina intercepta o rio. Mas essa situação está começando a mudar, já tendo o exemplo da bacia amazônica e da hidrovia Tocantins-Araguaia, onde estão sendo construídas eclusas para viabilizar a navegação.

No âmbito da Agricultura há quem defenda que o País não pode prescindir das hidrovias se quiser escoar os 40 milhões de toneladas a mais de grãos que serão produzidos no Brasil até o final da próxima década. Esta é a opinião do diretor do Departamento de Infra-Estrutura e Logística do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Biramar Nunes de Lim. Mas todo esse acréscimo na produção atual, de 140 milhões de toneladas, se dará sobre áreas de pastagens degradadas, sem que nenhuma árvore na Amazônia seja derrubada, ponderou Biramar.

O diretor secretário da Fenavega (Federação Nacional das Empresas de Navegação Marítima, Fluvial, Lacustre e de Tráfego Portuário), Marcos Machado Soares, defende que a prioridade ao modo rodoviário nos deu uma matriz de transportes oposta ao de outros países de dimensões continentais como a nossa. Segundo ele, para a mulltimodalidade pegar no País será preciso adotar uma política de transportes adequada com a visão do Brasil continental.

Soares propôs a criação de um sistema de crédito ambiental para promover as empresas de transporte aquaviário que desenvolvem ações de proteção do meio ambiente, assim como de inclusão social nas regiões onde atuam, e alavancar o setor.

Atualmente, os projetos hidroviários em andamento exigem o aporte de R$ 4 bilhões, que serão aplicados na construção e na retomada das obras das eclusas de São Simão, Cachoeira Dourada, Itumbiara, Lajeado e Estreito.

O diretor de Transportes Aquaviários do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), Herbert Drummond, justificou a demora na implantação da hidrovia Teles Pires-Tapajós em razão da necessidade de um estudo detalhado e de qualidade para o projeto. Essa cautela é porque não queremos que a obra venha a ser paralisada mais tarde por causa de um projeto inadequado, como tantos outros, ponderou.

Em seguida, o diretor-superintendente da Hermasa Navegação da Amazônia, João Roberto Zamboni, e o diretor de Operações Logísticas da Vale, Humberto Freitas, apresentaram as experiências das duas empresas na utilização das hidrovias.

Zamboni informou que a Hermasa transporta 4 milhões de toneladas/ano de grãos pela hidrovia do Madeira. Por esse corredor, a empresa liga suas áreas de produção de Vilhena (RO) e Sapezal (MT) até Itacoatiara. Segundo ele, a empresa já investiu US$ 300 milhões na hidrovia do Madeira.

Já na rota do minério, o diretor da Hermasa informou que a empresa está começando a levar minério do Porto de Santana, no Amapá, a Tiboca, próximo de Belém, no Pará, num trajeto de 400 milhas pela Hidrovia do Madeira. O minério se destina à exportação e a proposta, segundo ele, é ampliar o trajeto por hidrovia até o Porto de Vila do Conde (PA).