São PAULO – Com um número recorde de shoppings em construção, no momento há 100 centros de compras sendo construídos, que devem consumir investimentos aproximados de R$ 8,9 bilhões e serem inaugurados nos próximos três anos, o setor mostra que ainda há espaço para novos empreendimentos no País. De acordo com a Associação dos Lojistas de Shopping Center (Alshop), mais de 40 malls podem ser inaugurarem só este ano, frente a 22 empreendimentos abertos em 2009. Tudo isso por conta da força do varejo, além dos próximos anos prometerem ser excelentes para o comércio em geral, logo o setor de shopping centers não seria diferente. O segmento começa a ver até uma aceleração de obras e investimentos por parte de administradoras e construtoras para a construção de novos centros de compras até 2014, quando a Copa do Mundo será no Brasil.
Já para a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), em 2010, já está prevista a inauguração de no mínimo 22 novos shoppings, contando com cerca de cinco que tiveram pequenos atrasos nas obras e deveriam ter sido inaugurados em 2009. Mas em 2011, outros 18 empreendimentos devem ser abertos, sendo que para 2012, já há cinco shoppings no cronograma, números que ainda podem crescer. A previsão é que o setor cresça 12% sobre 2009, movimentando mais de R$ 83 bilhões. Entre as empresas que tem mostrado ter boa geração de caixa e fizeram novas ofertas de ações recentemente estão a Iguatemi Empresa de Shopping Centers (Iesc), Multiplan, BrMalls e General Shopping, que tem capital aberto. Os portugueses da Sonae Sierra Brasil também disputam, assim como a Brookfield e grupos médios. Estrangeiros como os ingleses da Squarestone, que chegaram a pouco no País, também prometem injetar recursos para construir novos shoppings, assim como construtoras e empresas já ligadas ao setor, estão de olho em ter suas fatias no mercado.
Uma das que mais deve aproveitar o perãodo para acelerar seu crescimento é a Iesc, após o fechamento do terceiro trimestre de 2009, a companhia, que tem como principal acionista a família Jereissati, afirmou que entrará em um novo patamar de crescimento, quase dobrando de tamanho até 2014. O objetivo é lançar três ou quatro novos projetos greenfield em 18 meses, com aportes de mais de R$ 400 milhões.
A meta da companhia era de chegar a um patrimônio de 400 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) até 2013, mas ampliou o projeto com mais 120 mil m² e acredita que chegará ao objetivo, 520 mil m². O número de shoppings no portfólio da companhia tem crescido e passou de oito, em 2006, para 11 este ano.
De acordo com Cristina Betts, CFO e diretora de Relações com Investidores da companhia, a oferta primária de ações feita no final de novembro, que captou R$ 410,4 milhões, já foi feita com o intuito de investir nos novos centros de compras. Ainda estão negociando um financiamento com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Cristina diz ter identificado um bom momento para a aceleração, já que desde o meio do ano percebe grande demanda de lojistas por espaços nos seus shopping centers.
A BrMalls também pode utilizar seus recursos para fazer novas aquisições, já que com bom desempenho em 2009, oferta de ações e medidas de redução de gastos, está com dinheiro em caixa. No primeiro semestre de 2009, por exemplo, alcançou um lucro líquido estimado em R$ 103,4 milhões, contra um prejuízo de R$ 7,554 milhões nos seis primeiros meses do ano passado. Não podemos comentar as negociações em andamento, mas a maior parte dos recursos levantados vai ser usadas em aquisições, disse na época o CEO da companhia, Carlos Medeiros. Segundo a Alshop, a companhia, que tem 39 shoppings, também deve investir R$ 800 milhões em novos projetos e expansões.
Segundo Luiz Fernando Pinto Veiga, presidente da Abrasce, o mercado está tremendamente fortalecido e as administradoras estão capitalizadas para levarem seus projetos adiante. O consumo interno deve continuar forte e todas as empresas estão se movimentando, diz.
Tanto que outras concorrentes, como a Sonae Sierra Brasil, parceria da portuguesa Sonae Sierra e da americana Developers Diversified Realty e proprietária de 10 shoppings, também revelou recentemente ao DCI que sua estratégia de crescimento prosseguirá com os projetos greenfield e o término do Boulevard Londrina Shopping, no Paraná, Uberlândia Shopping em Minas Gerais, e um shopping em Goiânia (GO).
Enquanto isso, a inglesa Squarestone, que chegou no Brasil recentemente, já gastou parte do R$ 1 bilhão que investirá no País, com a construção do Shopping Golden Square, em São Bernardo do Campo, mas tem planos de novos empreendimentos em Carapicuíba, também na Grande São Paulo, e em Canoas, no Rio Grande do Sul, nos próximos anos, que devem consumir quase R$ 400 milhões
De acordo com a Alshop, grupos médios e mais regionais como o Grupo Almeida Júnior, com quatro shoppings, também tem previsão de investir R$ 350 milhões na construção de três shoppings em Santa Catarina. Já o grupo sergipano João Carlos Paes Mendonça (JCPM) acabou de investir cerca de R$ 200 milhões no complexo Salvador Shopping.
Construtoras
Construtoras ligadas ao setor também querem voltar a investir mais, como é o caso da Shopinvest, do Grupo João Fortes Engenharia, que tem 28 anos de experiência em planejamento e comercialização de shoppings e pretende lançar nos próximos cinco anos seis empreendimentos que podem chegar a consumir R$ 900 milhões.
A empresa acaba de anunciar o primeiro centro de compras previsto, o Shopping Park Europeu, em Blumenau (SC), com investimentos de R$ 160 milhões. O shopping deverá ser inaugurado em 2011, e foi o primeiro grande empreendimento da Shopinvest desde sua associação com a João Fortes Engenharia, ocorrida em 2007.