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Clippings - 30/05/18

País tem janela de oportunidade antes do pico de demanda por petróleo

A “janela” em questão faz referência ao tempo que a indústria terá até o próximo pico da demanda (momento onde a demanda por petróleo no mundo para de crescer) previsto para acontecer entre 2030 e 2050. Mas, para isso, é necessário também que o país passe por uma reforma tributária, melhorando a regulação do setor.

Convidado especial do evento, o diretor do Programa de Petróleo do Centro de Política de Energia da Universidade de Columbia (Nova Iorque), Antoine Halff, afirmou que “o Brasil pode sair vencedor nesse cenário de transição energética e pode ser um dos cinco maiores produtores de petróleo no mundo” graças ao pré-sal, que é competitivo mesmo frente ao shale oil americano.

Halff disse ainda que o Brasil está em vantagem na qualidade de reservas e na estabilidade de regras, se comparado com competidores da América Latina, como México e Venezuela, respectivamente.

A grande questão é saber quando esse pico da demanda vai acontecer. Como é uma questão complexa, Halff acredita que existam três grupos de analistas: os mais tradicionais, os novatos e o grupo mais ligado com o meio ambiente.

O grupo mais tradicional é caracterizado por grandes petroleiras, como Exxon e Chevron, e, segundo o professor, são mais conservadoras e procuram uma continuidade na indústria. Essas empresas afirmam que o pico ainda vai demorar para acontecer, provavelmente em 2035.

Já o grupo dos novatos, que são avessos à inércia na indústria, afirma que o pico de demanda vai acontecer num futuro muito próximo, no período entre 2022 a 2025. Por fim, os “cientistas do clima”, como Halff identifica, é o grupo que já está buscando soluções de baixo carbono e de diminuição de emissões de CO2.

Halff ponderou ainda que menos de 25% do petróleo se destina ao consumo em veículos de passageiros. Assim, apesar das incertezas sobre a demanda futura, os demais usos do petróleo e crescimento da demanda energética dos países asiáticos, principalmente Índia e China, serão importantes fatores para sustentar o consumo global de petróleo.

Oportunidade curta para o país, que deve arrumar sua fiscalização

Os outros dois palestrantes, Helder Queiroz, professor e pesquisador do Grupo de Economia da Energia da UFRJ e Lavinia Hollanda, consultora e diretora da Escopo Energia, também falaram sobre o futuro do Brasil e o pico da demanda.

Segundo Lavinia Hollanda, não se sabe quando esse pico da demanda irá acontecer, podendo ser até mesmo mais de um pico. O que se sabe, segundo a consultora, é que a demanda de óleo continuará crescendo até 2023 e que a produção pode chegar em 5,2 milhões de barris de óleo por dia em 2026, de acordo com estudos do IEA.

O Brasil, sendo um país com 80% da produção vindo de águas ultraprofundas, precisa arrumar a sua fiscalização, desburocratizar as licenças ambientais e mudar a regulação se quiser competir direito, de acordo com Lavinia. Por esse pico da demanda ser uma “oportunidade curta”, é preciso que o país seja um competidor que esteja no mesmo nível dos outros produtores, como a China e Índia.

O evento foi realizado pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), em parceria com o Grupo de Economia da Energia do Instituto de Economia da UFRJ e o Columbia Global Centers.

Fonte: Revista Brasil Energia