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Clippings - 12/06/20

Pandemia pode acelerar investimento em tecnologia para o setor portuário

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Para a retomada da economia em um contexto de pós-pandemia a aposta está no investimento em novas tecnologias. E no setor portuário não é diferente. Para empresas de tecnologia que atuam no segmento, a necessidade de crescimento, a competitividade e o tema da sustentabilidade impostos pela atual crise, podem acelerar os processos de digitalização portuária já em curso. As tecnologias nos portos são importantes para agilizar operações, tornar processos mais seguros e facilitar na tomada de decisões. Mas, embora o interesse pelas tecnologias tenda a crescer no contexto atual, as empresas avaliam que o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer quando o assunto é modernização portuária.

Na análise da NavalPort, empresa que oferece serviços de gestão e segurança de manobras de navios, a pandemia vai acelerar a digitalização do setor em pelo menos 10 anos, sobretudo pela necessidade de manter a competitividade e pelas novas questões relacionadas ao meio ambiente e sustentabilidade. A empresa ressaltou que a cada minuto que um navio passa parado no porto, acarreta em custos adicionais que implicam, por sua vez, em impactos em toda a cadeia de logística. Portanto, nesse contexto de crise, a Naval Port acredita que a inovação terá papel fundamental em automatizar processos, integrar stakeholders e reduzindo gargalos que elevam o tempo de permanência da embarcação no porto.

A diretora de manufatura, logística e agro da TOTVS, Angela Gheller, ressaltou que necessidades importantes para o setor como o aumento da produtividade, fluidez nos processo e um melhor monitoramento, podem ganhar evidência nesse contexto de crise. Isso em função, especialmente, do aumento de demanda e, eventualmente de uma realidade em que se existe estruturas mais enxutas. E, para ela, as tecnologias entram com papel fundamental nesse cenário.

A TOTVS atua com a criação de sistemas de informação voltadas para o setor portuário. Dentre os sistemas oferecidos pela empresa, ganha destaque nesse momento aqueles mais direcionados ao aumento da eficiência e produtividade portuária, como é o caso TOTVS Agendamento. Esse sistema tem como objetivo melhorar o nível de planejamento de atividades ligadas a carga e descargas. Por meio de janelas operacionais, empresa passa a trabalhar com agendamentos programados, o que pode evitar o desbalanceamento no uso de ativos e recursos humanos.

O sistema TOVTS Recintos Aduaneiros gerencia armazéns alfandegados em zonas primárias e secundárias. Ele controla todos os processos logísticos referentes ao movimento de mercadorias importadas ou destinadas à exportação. Já o TOTVS Checklists funciona como uma plataforma para a digitalização de processos de inspeção e conferência que habitualmente são executados em papel, em formulários estilo checklist. Conta com um aplicativo móvel para execução de roteiros de inspeção e tratamento de não conformidades.

Com o propósito de reduzir a permanência do navio no porto e melhorar a rentabilidade da operação, a NavalPort criou uma plataforma que aumenta a previsibilidade da chegada do navio, monitora a entrada no fundeio e toda a estadia, notificando e alertando sobre qualquer eventualidade. No quesito segurança a plataforma monitora a presença, a navegação e aproximação da embarcação ao berço, auxiliando a Praticagem com informações precisas de distâncias e velocidades da proa e polpa de forma a garantir que as velocidades de toques nas defensas ocorram dentro das definições de projeto do sistema de amortecimento.

Atualmente a empresa vem implantando a plataforma em quatro berços operados pela Transpetro no Porto de Suape. O projeto já está na fase de pré-operação. Além disso, a NavalPort está com algumas negociações avançadas para a implementação da plataforma, e com dois pilotos do projeto: um na Hidrovia Paraguai e outro para o monitoramento de embarcações de pesca no estado do Ceará.

O Porto de Suape também firmou contrato com o Porto Digital, parque tecnológico no estado de Pernambuco que oferece soluções em inovação para diversos setores, incluindo o portuário. O presidente da empresa, Pierre Lucena, explicou que a metodologia do Porto Digital é oferecer uma solução customizada para a demanda de cada porto. Normalmente uma empresa é criada para produzir essa solução. Ao final do processo, a nova empresa pode vender o projeto criado para outros portos pelo país.

Lucena afirmou que nesse contexto de pandemia as novas tecnologias são fundamentais, sobretudo para melhoria da eficiência nas operações logísticas. Porém, segundo ele, no Brasil, a maioria dos portos públicos ainda possuem dificuldades para a implementação de novas tecnologias. Ele disse que trazer tecnologias de fora ainda custa muito caro, sem contar que ainda existe a necessidade de inovação dentro do Brasil.

Para o diretor e responsável pela área de porto da Nokia no Brasil, Fábio Ardeola, o tempo de absorção de novas tecnologias por parte dos portos públicos é mais longo do para os terminais privados. Não por outra razão, que as soluções em tecnologia oferecidas pela empresa para o setor portuária estão com negociações mais avançadas com alguns terminais privados no país.

A Nokia, em parceria com a Siemens, deve implementar ainda este ano no Brasil a tecnologia da rede móvel 4G para o setor portuário. A tecnologia já existe em mais de 20 países no mundo e foi implantada pela primeira vez na China em 2017. A ideia do sistema 4G é conectar pessoas, sistemas e operações dentro do porto.

Conforme explicou Ardeola, a rede 4G da Nokia parte do princípio de que o porto não é um sistema estático, ao contrário, tudo dentro do porto precisa estar em movimento. E para acompanhar essa característica do setor, a tecnologia móvel permite a dispensa de cabos para diversas atividades de como rastreamento, monitoramente, podendo ainda conectar guindastes, RTGs, entre outros sistemas.

Diferente da rede wifi que tem limite de alcance, problemas com “sombras” onde o sinal não funciona, além da pouca segurança contra invasores, a rede móvel 4G da empresa, assim como funciona em um celular, não tem limite de alcance. Além disso, já traz embutido um sistema de segurança. Isso porque cada porto que adotar o sistema da Nokia, obterá um chip com rede 4G privada, ou seja, que funciona apenas dentro do porto.

Ardeola ressaltou ainda que a conectividade é o primeiro passo para entrada do setor portuário na indústria 4.0. Qualquer inovação ligada a digitalização ou inteligência artificial só terá a eficiência esperada caso seja conectada. O sistema da Nokia oferece ainda um drone capaz de fazer a inspeção de áreas do porto com informações sendo transmitidas em tempo real. O drone possui um alcance maior que a maioria que existe no mercado atualmente, além de possuir câmera com alta resolução e sensor capaz de indicar áreas de vazamento.

Embora o interesse pelas novas tecnologias já seja uma realidade dentro do setor portuário, a inserção de inovações ainda está lenta se comparado a outros países. A NavalPort destacou que o investimento do Brasil em tecnologias ainda é muito tímido o que justifica o ranking de competitividade dos portos do país. Ele deu como exemplo do Porto de Roterdã que vem implantando um sistema para reduzir o tempo entre o final da operação de container e a desatracação do navio. Esse tempo médio é de 47 minutos e, nos primeiros testes, já se conseguiu 32 minutos, ou seja, o país está trabalhando no detalhe para redução de minutos, porém no resultado final do porto esse ganho passa a ser importante.

Apesar disso a empresa acredita o Brasil tem toda a possibilidade de se tornar autossuficiente em tecnologia portuária e exportá-las, gerando valor agregado as exportações. Para tanto, para a NavalPort, basta gerar as oportunidades locais e estimular as startups a participarem.

Fonte: Revista Portos e Navios