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Clippings - 09/06/20

Para empresas, BR do Mar ainda precisa ser debatido de forma ampla

Prevista para ser encaminhada ao Congresso Nacional ainda este mês, o projeto BR do Mar ainda precisa de uma discussão mais ampliada, de acordo com armadores. Embora analisem o projeto do governo federal como positivo para o desenvolvimento da cabotagem no país, alguns aspectos como a entrada do investidor estrangeiro no setor e a necessidade de infraestrutura, estão entre os temas que ainda merecem maior atenção para as empresas.

O diretor comercial da Mercosul Line, Alexandre Souza, avalia o BR do Mar como importante para melhorar a cobertura da cabotagem no país. Ele lembrou que os armadores aguardam uma política de incentivo no setor desde 1997, mas entende que existem algumas medidas propostas que ainda precisam ser discutidas de forma ampla. Para ele, um dos pontos que exigem atenção é a abertura total para estrangeiros investirem no segmento. Ele destacou que caso os navios de longo curso entrem totalmente no setor pode haver uma marginalização dos preços e risco de não ter uma oferta estabelecida.

Apesar disso, ele ressaltou que o projeto tem como grande objetivo ampliar a capacidade da cabotagem e aumentar sua participação na matriz de transporte. Ele afirmou que atualmente o modal rodoviário detém 63% da movimentação de carga no país, mesmo não sendo sustentável e gerando custos elevados, sobretudo, para quem está na ponta do processo, ou seja, o cliente. “Hoje o Brasil gasta 12,5% do PIB com custo logístico e nos países lá fora esse valor cai pela metade”, frisou Souza durante participação na Webinar “O Futuro do Transporte Marítimo”, realizado pela Feira Logistique, na última sexta-feira (05).

A respeito da entrada do investidor estrangeiro, o diretor comercial da Login, Maurício Alvarenga, que também esteve presente na Webinar, afirmou que os novos entrantes no mercado da cabotagem no país são bem-vindos, porém, é importante que eles tenham como objetivo desenvolver o mercado e promover a competitividade. “O mercado quer compromisso. Quando (o usuário) sai do rodoviário para a cabotagem ele não quer uma empresa ou serviço que está aqui hoje, mas amanhã não está”, disse.

Ele destacou que a proposta do BR do Mar é acelerar o crescimento da cabotagem, pois esse segmento já vem crescendo a cada ano no país. Ele afirmou ainda que a alavancagem do setor é importante porque, ao contrário de outros modais, exige pouco investimento, visto que a “BR do Mar já está pronta”, ou seja, não precisa ser construída como as rodovias ou ferrovias. Além disso, retirando os caminhões de cargas das rodovias, evitam-se custos com as manutenções neste modal pelos concessionários.

Na ocasião também, o diretor comercial da Maersk, Gustavo Paschoa, mesmo analisando de forma “extremamente positiva” o projeto, defendeu que ele precisa ser debatido de forma mais holística. Para ele, o importante é pensar a cabotagem conectada com os demais modais, como forma de realizar de forma mais otimizada a distribuição da carga pelo país. Assim, o investimento, segundo ele, deve ser feito em toda a infraestrutura de logística.

Outro aspecto do BR do Mar levantado pelos debatedores como sendo positivo foi a possibilidade de afretamento de navios estrangeiros pelas empresas brasileiras de navegação que tenham seus próprios navios. Segundo afirmou o diretor executivo da Aliança Navegação, Marcus Voloch, essa medida é muito importante, pois deve possibilitar o aumento da capacidade instalada no Brasil, além de permitir que as empresas possam crescer trazendo embarcações estrangeiras a preços competitivos. “Para os armadores isso é muito bom, pois vamos poder crescer de forma eficiente”, disse.

Fonte: Revista Portos e Navios