Depois de três trimestres de perdas seguidas, a fabricante de produtos de cobre Paranapanema voltou ao lucro. Na sexta-feira, após fechamento do mercado, a companhia divulgou o balanço do perãodo julho-setembro, reportando um ganho de R$ 131 milhões. Um ano atrás, a empresa teve prejuízo de R$ 35 milhões.
Ao mesmo tempo, a direção da Paranapanema, como já havia sinalizado, informou aos investidores em ações da empresa cinco indicadores com metas de desempenho da empresa até 2018. Esses indicadores integram o programa de reorganização das operações da companhia (na gestão administrativa, comercial e operacional), que tem o suporte, por um ano, desde julho, da consultoria Galeazzi & Associados.
Christophe Akli, presidente da empresa, em entrevista ao Valor, destacou que o resultado foi fruto de vários fatores, como o aumento do uso da capacidade da usina de metalurgia de catodos em Dias D’Ávila (BA), a redução de custos fixos e gerais, o dólar mais forte (a empresa está exposta ao mercado mundial de commodities), ganho no resultado financeiro, desconto na compra de concentrado de cobre (matéria-prima), melhorando o prêmio de transformação, entre outros. Além da mudança de cultura, passando a ser mais ativa comercialmente.
O resultado financeiro positivo em R$ 112 milhões, ante perda de R$ 129,7 milhões um ano antes, contribui para a reversão na linha final do balanço. Influiu sobre esse resultado, dentre outros fatores, a variação cambial e o reconhecimento contábil de juros e atualização monetária sobre processos judiciais ganhos e ativos recuperados. A política de hedge de câmbio, adotada em janeiro, informou Akli, ajudou a reduzir volatilidade no resultado.
A empresa registrou queda de 5% na receita líquida, para R$ 1,23 bilhão. Uma ano atrás, segundo disse, a Paranapanema fez muita arbitragem com produtos importados. Neste ano, isso desapareceu. “Foi só produto nosso”.
Na mesma base de comparação trimestral, a fabricante reportou recuo de 8% na produção de cobre, para 121 mil toneladas. Todavia, o volume de vendas manteve-se estável em 71 mil toneladas.
A empresa informou ainda que reduziu em R$ 91 milhões seu plano de investimentos para 2014, de R$ 194 milhões para R$ 103 milhões. “Estamos priorizando o aumento da utilização da capacidade instalada e afastando novos investimentos em expansão de capacidade até que sejam necessários”, destacou a companhia. Segundo a diretoria, dentro da nova estratégia, vai manter o capex em manutenção das operações no patamar anual de R$ 120 milhões, o correspondente a 100% da depreciação.
Thiago Alonso de Oliveira, diretor financeiro e de RI, apontou que as margens de ganhos no lucro bruto e no Ebitda – que alcançou R$ 109 milhões -, vêm mostrando uma boa evolução. No caso do Ebitda, foi de 5,2% no primeiro trimestre para 8,8%.
Para Akli, a boa notícia é que a margem média do Ebitda no ano ficou em 7%, dentro do planejado, e que agora há muito trabalho pela frente para ampliá-la.
Os indicadores de desempenho, até 2018, segundo ele, são elementos para os investidores acompanharem o trabalho da companhia. Na produção de catodo, por exemplo, prevê atingir plena capacidade de 290 mil toneladas até lá. No custo de transformação, busca baixar de R$ 2.047,00 a tonelada vendida para R$ 1.748,00, devendo gerar uma redução de R$ 90 milhões nesse item ao ano. A empresa definiu guidances também para despesas de vendas, gerais e administrativas (queda de 20% no perãodo), capex em manutenção e para retorno sobre capital empregado.