unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 12/06/19

Parceria com a CNPC mais próxima

A Petrobras deve concluir em setembro o  estudo para viabilizar a joint-venture (JV) com a CNPC que será responsável pela conclusão das obras do Comperj, em Itaboraí (RJ). A informação é do presidente da estatal, Roberto Castello Branco, que participou, nesta terça-feira (11/6), de audiência pública na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados.

A formação da JV está prevista em um acordo assinado pelas petroleiras em outubro de 2018. O plano é que a nova empresa seja operadora da refinaria, com 80% de participação da Petrobras e 20% da CNPC. Além disso, seria criada uma segunda joint-venture no segmento de E&P, contando com a mesma participação da petroleira chinesa no cluster de Marlim (concessões de Marlim, Voador, Marlim Sul e Marlim Leste) na Bacia de Campos.

Durante a audiência, Castello Branco confirmou os planos de construir uma nova termelétrica movida a gás natural, defendeu a venda de ativos como forma de equilibrar a saúde financeira da companhia e enfatizou a necessidade de a petroleira se capitalizar para investir em atividades de E&P.

“Temos ativos de classe mundial, grandes reservas com baixo custo de produção. Não podemos deixar isso ficar no fundo do oceano. Precisamos investir e gerar riqueza para a sociedade”, assinalou.

O executivo citou campos maduros e o midstream como áreas fora do foco da Petrobras e justificou a venda de parte de seus ativos de refino, alegando que tais empreendimentos geram baixo retorno em comparação com o E&P. Ele acrescentou que, embora a Petrobras necessite do serviço de transporte de gás e combustíveis, a empresa não precisa ser sua proprietária.

Dívida

Castello Branco lembrou ainda que a Petrobras é uma empresa com situação financeira frágil, com US$ 106 bilhões em dívidas, “o dobro da média das dez principais companhias do setor, o que representa três vezes a sua geração de caixa”, destacou.

Segundo ele, um dos pilares da sua gestão é a reconquista do grau de investimento da companhia, o que será fundamental para o crescimento do negócio e consequentes investimentos em projetos estratégicos e na redução da dívida.

“Temos dívida elevada e pagamos juros elevados porque temos uma dívida elevada. Os juros consomem 25% da geração de caixa e isso nos fragiliza”, alertou, ressaltando que a Petrobras paga cerca de US$ 7 bilhões de juros ao ano.

Bacia de Campos

Em resposta à bancada de parlamentares do Rio de Janeiro, Castello Branco citou investimentos de U$ 21 bilhões nos próximos cinco anos para a recuperação da Bacia de campos. Segundo o executivo, o estado tem uma oportunidade ímpar de sair da recessão em que se encontra em razão dos projetos previstos no óleo e gás.

“O Rio de Janeiro será o terceiro maior produtor de petróleo das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos e do Canadá. Vai haver emprego e oportunidades, royalties. É preciso usar bem os recursos”.

Política de preços

Castello Branco também foi questionado pelos parlamentares sobre a variação de preços dos combustíveis, que tem gerado atritos entre setores da economia, governo e a empresa. Segundo o executivo, o peso da carga tributária e a margem da revenda, principalmente no caso do GLP, encarecem os combustíveis no país.

Para amenizar os efeitos ao consumidor, a companhia adotou reajustes espaçados, de forma a gerar mais segurança ao mercado. A gestão atual não deseja repetir políticas passadas, ressaltou o presidente da estatal.

“Com o diesel, a Petrobras perdeu R$ 120 bilhões entre 2008 e 2018 e, com a gasolina, R$ 60 bilhões entre 2000 e 2018”, frisou.

Indústria naval

Castello Branco chamou a política de conteúdo local na contratação de embarcações de “irresponsável, ao estimular 13 estaleiros para atender uma única empresa”. Ele observou, porém, que o setor pode atender à companhia se conseguir ser competitivo.

“Isso não quer dizer que todos os estaleiros sejam inviáveis. A Petrobras chegou a comprar sonda no Brasil a US$ 600 milhões. Depois comprou na Coréia a US$ 180 milhões. A Petrobras tem várias encomendas a fazer e ganhará quem tiver competência”, concluiu.

Fonte: Revista Brasil Energia