O Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef), lançado pela subsidiária da Petrobras há cerca de dez anos, é um exemplo das dificuldades enfrentadas na atual retomada da construção naval no Brasil. O Promef prevê a construção de 49 navios, mas só sete foram entregues até agora. O programa registrou atrasos nas obras e o João Cândido, primeiro navio encomendado ao Estaleiro Atlântico Sul (EAS), foi entregue com cerca de dois anos de atraso e custo 23% acima da média do contrato original, segundo estimativas de mercado.
Mas a avaliação da Petrobras e da Transpetro é que o programa está indo bem. “Até o momento três navios da série Suezmax foram produzidos e entregues para a Transpetro no EAS: João Cândido, Zumbi dos Palmares e Dragão do Mar. O João Cândido e o Zumbi dos Palmares apresentaram prazos de construção de 44 e 45 meses respectivamente o que revela índices de produtividade semelhantes. Já o Dragão do Mar foi construído e entregue em 39 meses o que indica evolução”, disse a estatal em nota.
A melhora da produtividade no EAS é esperada à medida que novos navios do mesmo porte forem sendo produzidos em série pelo estaleiro, pois um dos fatores que impactam positivamente a produtividade do setor naval é a repetição dos projetos, afirmou a estatal.
Em 2013, um grupo de empresas japonesas comprou 33% do capital do estaleiro. Camargo Corrêa e Queiroz Galvão dividem meio a meio os restantes 66% da empresa. “A parceria com os japoneses tem gerado resultados positivos no que diz respeito à criação de programas voltados à otimização da produção, melhorando o desempenho do estaleiro desde o planejamento ao controle dimensional, na questão das soldas e na criação de melhores estratégias construtivas, garantindo maior velocidade e qualidade na construção das embarcações”, afirmou o EAS.
O estaleiro disse que hoje o EAS é uma empresa com “perenidade e com capacidade de produção simultânea”. Afirmou ainda que, além dos três navios tipo Suezmax concluídos, um quarto navio, o Henrique Dias, será entregue ainda este ano. “O EAS está trabalhando de forma simultânea em mais quatro petroleiros, além dos navios sonda, cada um em uma etapa distinta do processo construtivo. O EAS tem o compromisso de entregar 22 navios de forma escalonada até 2019”, disse o EAS. O estaleiro tem contratos de US$ 5,2 bilhões para construir sete sondas para a Sete Brasil. O Valor apurou que o estaleiro foi autorizado a fazer parte do primeiro casco da sonda na IHI, uma das sócias japonesas.
Para a Transpetro, o Promef impulsionou o renascimento da indústria naval brasileira após uma crise de décadas, com investimento de R$ 11,2 bilhões na encomenda de 49 navios e 20 comboios hidroviários. “É natural que a busca pela competitividade internacional enfrente desafios e dificuldades e os cronogramas dos navios sejam ajustados. Mas os resultados obtidos comprovam que a indústria naval brasileira está no rumo certo.” Os principais países construtores navais levaram 30 anos ou mais para chegar aos níveis atuais de produtividade. “Com os resultados alcançados até agora, a Transpetro estima que o Brasil levará tempo muito menor para atingir o objetivo de ter uma indústria naval mundialmente competitiva.”
A empresa afirmou que, após o sistema Petrobras ter ficado 14 anos sem receber um único navio construído no Brasil, a Transpetro já recebeu sete novas embarcações nos últimos três anos, sendo três em 2013. “Atualmente, 14 navios estão em diferentes fases de construção por estaleiros nacionais, sendo cinco na fase de acabamentos.”
Os contratos do Promef estipulam penalidades por atrasos não justificados. “Como parte do monitoramento e do controle da construção de seus navios, a Transpetro criou o Sistema de Acompanhamento da Produção (SAP). O SAP mapeia os fatores que possam prejudicar a execução das obras dos navios e faz os ajustes necessários. Com isso, os estaleiros apresentam ganhos consideráveis de produtividade. A Transpetro tem como procedimento o acompanhamento contínuo das obras de construção das suas embarcações em todos os estaleiros com os quais possui contratos vigentes.”