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Clippings - 12/04/19

Parceria luso-brasileira

Presentes na Intermodal, representantes de portos portugueses esperam ampliar comércio marítimo com Brasil. Representantes de portos de Portugal consideram a América do Sul uma região estratégica para seus negócios e esperam aumentar o comércio marítimo com o Brasil. A Associação dos Portos de Portugal (APP) esteve presente novamente na 25ª Intermodal South America, realizada em março, em São Paulo. A APP reúne os principais portos portugueses, representados por nove administrações portuárias. Na feira, estiveram presentes cinco delas: Porto de Leixões, Porto de Aveiro, Porto de Lisboa, Porto de Setúbal e Porto de Sines. Com o evento, a APP espera conseguir aumentar as trocas comerciais com o Brasil.

“O objetivo é conseguir afirmar Portugal como a principal porta de entrada na Europa, já que o nosso país apresenta-se com uma vantagem competitiva face aos outros portos europeus. Em termos de economia, de um a dois dias de trânsito nos tráfegos oriundos dos mercados da região”, destacou a presidente da APP, Lídia Sequeira, a Portos e Navios.

De acordo com o ministério da economia português, as trocas comerciais entre Portugal e o Brasil somaram aproximadamente dois bilhões de euros em 2018. Ainda de acordo com o ministério, as exportações portuguesas para o Brasil em 2018 foram lideradas pelo azeite, gasóleo (diesel), bacalhau, vinho e peras, e as importações por produtos agrícolas como o milho e a soja, petróleo e minérios. “Cremos que existem muitas similaridades entre os dois países e no tipo de mercadorias movimentadas e portos, com a ressalva da escala de cada país”, explica Lídia.

Em 2018, o sistema portuário português movimentou perto de 93 milhões de toneladas de cargas, com destaque para o crescimento de 1,15 milhão de toneladas no segmento da carga conteinerizada. Para a APP, o volume movimentado reforça o posicionamento de Portugal nas ligações aos mercados da América do Sul, sobretudo o Brasil. Outros mercados comerciais importantes para Portugal são países do bloco europeu, como Reino Unido, França e Espanha, além de países africanos da costa ocidental, particularmente Angola. Segundo a APP, Estados Unidos e Canadá também constituem mercados relevantes, ao passo que a China vem ganhando importância crescente.

A APP acredita que o futuro do setor portuário mundial, bem como das entidades que gerem os portos, passa por soluções inteligentes para melhorar o relacionamento entre usuários e terminais que os servem, por meio de políticas que priorizem a digitalização de procedimentos e com uso de plataformas eletrônicas que diminuam o tempo de espera dos navios e das mercadorias. “No que diz respeito à questão das mercadorias é fulcral (essencial) que as alfândegas participem igualmente deste esforço, bem como todas as restantes entidades que participam no circuito. O esforço deve igualmente ser efetuado ao nível da regulamentação aplicável ao setor”, reforça Lídia.

A presidente da associação conta que já existem algumas parcerias, que visam agilizar os trâmites e compartilhar experiências entre portos portugueses e os portos do Brasil, quer ao nível do tráfego das mercadorias, quer ao nível do tráfego de passageiros (cruzeiros). Para ela, será possível evoluir nesse campo futuramente. Lídia ressaltou que a visão da APP do setor portuário é extensível a todos os portos, e não somente aos portos brasileiros.

Portugal também pode contribuir com os portos brasileiros no campo da inovação, ou ainda em cooperação, com programas acadêmicos e de pesquisa, por meio de suas instituições de ensino. “Essa é uma ideia muito interessante: a conjugação entre a academia e o mundo real, particularmente ao nível da inovação e da tecnologia. Teremos que estender esse repto (desafio) também às universidades dos dois países”, avalia Lídia.

No primeiro dia da Intermodal, a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e a Administração dos Portos de Sines e Algarves (APS), assinaram um memorando de cooperação visando a uma melhor logística e à redução de custos para o comércio brasileiro com o mercado europeu. A expectativa é que a iniciativa aumente a competitividade do comércio exterior brasileiro, em especial para a União Europeia.

Na ocasião, o presidente da AEB, José Augusto de Castro, disse que o porto tem posição estratégica, o que favorece a entrada no mercado europeu e contribui para aumentar a competitividade das exportações brasileiras para aquele continente. “O porto tem cinco terminais, é o mais competitivo na costa atlântica, tem tarifas portuárias competitivas, além de contar com logística integrada (marítima, ferroviária e rodoviária), condições que facilitam o trânsito dos produtos para que cheguem com celeridade aos mais diversos destinos europeus”, afirmou.

Castro acrescentou que a iniciativa vai ao encontro da demanda do setor privado na busca de alternativas para reduzir o custo Brasil, melhorar a produtividade e ampliar a competitividade dos produtos brasileiros na exportação, com foco especial em manufaturados. Pela autoridade portuária portuguesa, assinou o termo o presidente da APS, José Luís Cacho.

Também participaram do evento de assinatura a secretária-executiva adjunta do ministério da infraestrutura, Viviane Esse, que representou o ministro da pasta, Tarcísio Freitas; o secretário nacional de portos e transportes aquaviários, Diogo Piloni; o diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), Francisval Mendes; o diretor-presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), Murillo Barbosa; e o coordenador da Câmara Logística Integrada da AEB, Jovelino Pires.

Fonte: Revista Portos e Navios