O plano elaborado pela EPE e aprovado pelo governo estima que dos R$ 3,5 trilhões estimados, cerca de R$ 2,8 trilhões serão para o mercado de O&G e a maior parcela será para o E&P
O Plano Decenal de Expansão de Energia 2035 (PDE 2035), aprovado pelo governo federal na última quinta-feira (2), prevê que 79,8% dos investimentos previstos serão para o setor de petróleo e gás. Ou seja, dos R$ 3,5 trilhões, R$ 2,818 trilhões serão destinados a este mercado.
A maior fatia está na exploração e produção de petróleo e gás, que é o total de R$ 2,611 trilhões (74%). Em seguida estão a oferta de derivados de petróleo (R$ 157 bilhões) e oferta de gás natural (R$ 50 bilhões).
O plano elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) prevê que a produção de petróleo deve chegar aos 5 milhões de bpd em 2031 e, até o final do período, o patamar será o mesmo. Os campos de Búzios, Tupi, Mero, Sépia, Atapu, Bacalhau e Bacalhau Norte, que representam 54% da produção até o final da década de 2030, explicam a expectativa de volumes.
Em 2035, a produção estimada é de 4,87 milhões de bpd, maior em 44% do que a registrada em 2024 (3,4 milhões de bpd). As maiores contribuições para a produção total no decênio permanecem sendo das unidades produtivas localizadas em águas ultraprofundas, que respondem por cerca de 82% da produção nacional, e das unidades produtivas em águas profundas, com cerca de 12%.
Sobre o pré-sal, sua participação na produção nacional tende a aumentar e será impulsionada pelo desenvolvimento de unidades de produção na região. Até 2031, o aumento será contínuo, com a entrada em operação de 10 unidades.
“Desse modo, o pré-sal responderá por parcela significativa (cerca de 76%) da produção nacional de petróleo no fim do decênio, com forte participação da Bacia de Santos. O pós-sal contribuirá com aproximadamente 9%, advindos principalmente dos campos de produção da Bacia de Campos, e do extra pré-sal com participação de cerca de 15%”, destacou a EPE no PDE.
O plano também destaca que a Margem Equatorial será importante para manter a produção nacional em 5 milhões de bpd. Segundo a EPE, é esperado que a Bacia da Foz do Amazonas apresente volumes similares aos das bacias vizinhas na Guiana e Suriname.
No que tange à produção de gás natural, o pico acontecerá em 2033, com volumes próximos de 309 milhões de m³/dia. No final do decênio, a produção da reserva sofre um declínio suave compensado pela contribuição dos recursos contingentes e não descobertos. As maiores contribuições virão das bacias de Santos, Campos, Parnaíba, Sergipe-Alagoas (SEAL), Solimões e Potiguar.
A maior proporção do gás natural a ser produzido no decênio é de gás associado, e as contribuições das bacias de Campos e Santos, juntas, correspondem a aproximadamente 90% do total previsto para 2035, com a participação muito significativa das acumulações do pré-sal.
No caso do gás natural não associado, continua a influência das unidades produtivas das bacias de Campos, Parnaíba, Solimões, Sergipe-Alagoas (SEAL), Amazonas e Alagoas.
O PDE também relatou uma parte sobre os recursos convencionais no Brasil. Tendo em vista os estudos já feitos, as bacias do Parnaíba, Paraná, Solimões e Amazonas são atrativas para a pesquisa de gás de folhelho. Já os reservatórios não convencionais de gás natural em formação fechada (ou tight gas) podem ser alvo de estudos nas bacias do Recôncavo, São Francisco e dos Parecis.
Em destaque no plano está o projeto do Poço Transparente, o qual o MME qualificou a empresa Cemes Petróleo S.A., de Minas Gerais (MG), a integrar o projeto em julho de 2025. O objetivo é perfurar um poço horizontal em reservatório não convencional de baixa permeabilidade por meio do fracking, mas o projeto, que está na fase de planejamento, se encontra parado na espera da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre o uso de fracking no país.
“Conhecer o potencial brasileiro em recursos não convencionais e planejar, de forma ambientalmente responsável e economicamente competitiva, a utilização desses recursos para as próximas décadas é estratégico, tendo em vista a relevância, em especial do gás natural, como combustível para uma transição energética equilibrada e justa”, justificou a EPE.
Fonte: Brasil Energia.