Companhia não descarta aquisição de novos ativos da Petrobras ou oportunidades exploratórias
A nona reportagem da série sobre a atuação das petroleiras no Brasil tem como foco a Perenco.
A Perenco pretende ampliar em 20 anos a vida útil do Polo Pargo, na Bacia de Campos. Para isso, investirá no projeto cerca de US$ 200 milhões — aportes que estão condicionados à aprovação do plano de desenvolvimento do ativo pela ANP.
No documento submetido à agência reguladora, a petroleira franco-britânica solicita a extensão, até 2040, do término da concessão, que abrange os campos de Pargo, Carapeba e Vermelho.
Em entrevista ao PetróleoHoje, o diretor de Relações Institucionais da Perenco Brasil, Leonardo Caldas, reforçou o foco da companhia no empreendimento adquirido da Petrobras no ano passado:
“Além do Polo Pargo, a Perenco avalia constantemente novas oportunidades de investimentos, mas é natural associar nosso apetite para o Brasil à aprovação do plano para Pargo”, ressaltou.

Atualmente, apenas Pargo e Vermelho estão em produção, com extração de 2,5 mil boed e 1,8 mil boed em junho, de acordo com dados da ANP. Os campos de águas rasas começaram a produzir no final da década de 1980. A Perenco comprou o polo por US$ 370 milhões em setembro de 2019, retomando sua produção no início do ano, após aprovação da ANP.
Conforme publicado pelo PetróleoHoje, o plano de desenvolvimento pretende ainda reduzir a dependência da infraestrutura da Petrobras, com a instalação, no final de 2021, de um FSO (unidade flutuante de armazenamento e transbordo). Hoje, o petróleo de Pargo é escoado pela plataforma de Garoupa por uma rede de oleodutos da Petrobras até o Terminal de Cabiúnas, em Macaé (RJ).
Com o crescimento esperado da produção do polo, a Perenco poderá avaliar o investimento em infraestrutura de escoamento de gás, visando à comercialização, “mas isso depende muito das condições comerciais e da evolução das políticas públicas para o setor de gás natural”, ponderou Caldas. Atualmente, o ativo importa gás para geração de energia.
Perspectivas
A Perenco não descarta novas aquisições a partir dos desinvestimentos da Petrobras. “Estamos sempre atentos a oportunidades. A Petrobras tem um plano agressivo de venda de ativos, e nós buscaremos sempre avaliar quais se enquadram com nosso modelo de negócio”, disse o executivo.
Ele enfatizou que o interesse por qualquer ativo dependerá do potencial de produção, do custo de abandono e de termos comerciais atrativos para o escoamento de óleo e gás.
Apesar de a companhia se concentrar na recuperação e rejuvenescimento de campos maduros, o diretor declarou que nada impede a avaliação de oportunidades de exploração, a depender da estratégia ou portfólio mundial da empresa. “Mas o momento ainda é prematuro para projeção de investimentos com risco exploratório, quando ainda não temos uma operação estável e rentabilidade consolidada”, assinalou Caldas.
A Perenco conduziu campanhas exploratórias no Brasil entre 2009 e 2015, no offshore da Bacia do Espírito Santo, onde operou cinco blocos com 40% de participação, em parceria com a OGX (50%) e a Sinochem (10%).
As áreas ES-M-416 e ES-M-418 foram devolvidas em 2012, após os dois poços perfurados resultarem secos. Já nos blocos ES-M-472, ES-M-529 e ES-M-531, adquiridos na 9ª Rodada, foram encontrados indícios, mas sem descoberta comercial.
Impactos da pandemia
Segundo Leonardo Caldas, as operações offshore da Perenco, em meio à pandemia, não foram interrompidas e estão estabilizadas, com quarentena e aplicação de testes frequentes nos funcionários. “Isso tem um impacto econômico significativo para a empresa, além de reduzir fortemente nossa flexibilidade operacional” declarou. O impacto mais forte foi a suspensão de projetos que envolviam mobilidade internacional.
A Perenco iniciou suas atividades como petroleira na década de 1990 e está presente em 14 países.
Fonte: Revista Brasil Energia