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Clippings - 20/12/13

Pernambuco sai à frente e faz neste mês primeiro leilão da fonte no país

No dia 27, o governo de Pernambuco deve promover o primeiro leilão exclusivo para fonte solar do país. Em 2012, o Estado resolveu criar incentivos fiscais para que os industriais pudessem consumir energia solar.

Um fabricante de sapatos, por exemplo, que tenha de pagar ICMS sobre a unidade vendida, poderia contratar energia de fonte solar e ter esse custo compensado pelo governo pernambucano. Apesar do incentivo, a ideia não funcionou. Não havia mercado, tínhamos de bater à porta de todos os elos da cadeia, havia burocracia demais, então resolvemos simplificar o processo e realizar um leilão, pelo qual iremos contratar quantidade grande de energia. Assim podemos criar um mercado para a fonte e estimular toda a cadeia, ajudando a criar uma indústria local, diz o secretário-executivo de Energia, Eduardo Azevedo.

O início do cadastramento dos projetos ocorreu em 9 de dezembro. Já foram catalogados 14 empreendimentos, com 30 MW cada. A estimativa é de que o potencial a ser cadastrado possa superar 600 MW de potência. O preço de referência será de R$ 250/MWh. Temos expectativa de que consigamos fechar com esse preço a comercialização de usinas solares no Estado, destaca. Em novembro, no leilão de contratação de energia para daqui a três anos, o governo federal incluiu projetos solares pela primeira vez nos certames. Mas não foi feita uma licitação exclusiva para eles, que concorreram com usinas eólicas. Foram habilitados 31 projetos fotovoltáicos, que somavam 813 MW de potência, mas nenhum saiu do papel ainda.

O certame federal terminou com um preço médio de R$ 124,43 por MWh, o que inviabilizou os empreendimentos solares. Estima-se que a solar esteja saindo acima de R$ 200 o MWh. O preço do leilão só viabilizou as eólicas, cuja competitividade é bem mais alta, diz o presidente do Instituto Ideal, Mauro Passos. O próprio governo federal, no entanto, não acreditava que a fonte solar tivesse competitividade para concorrer com as eólicas, mas resolveu abrir o cadastramento para as usinas solares para conhecer os investidores e os projetos. A energia solar ainda terá vez no Brasil, diz o presidente da Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), Mauricio Tolmasquim.

A intenção de Pernambuco é mudar essa história e fechar o primeiro contrato de um parque solar de grande potência no Brasil. Queremos partir na frente, já que a nossa incidência solar é ótima. Acreditamos que o nosso preço é atraente e o interesse dos investidores tem sido grande, observa o secretário de Energia. Se os empreendedores fecharem negócios no leilão, as usinas solares terão 18 meses para ser implementadas. O prazo pode ser estendido em 18 meses, caso as empresas se comprometam a atender a exigências de conteúdo local.

Nos últimos meses, o governador Eduardo Campos e secretários de Estado viajaram para a Europa. Na Alemanha, visitaram clusters industriais que fornecem equipamentos para energia solar. Fizemos convites para que eles venham para Pernambuco e possam conhecer as oportunidades aqui, comenta Azevedo. Vemos muitos empreendedores de usinas eólicas que estão querendo integrar um projeto solar, o que daria uma atratividade diferenciada ao empreendimento. Neste leilão do fim do ano, deveremos ter cadastrados projetos eólicos que também querem gerar energia solar, diz. (RR)