
A Petrobras terá mais um presidente interino em breve. Embora tenha sido indicado no dia 30 de dezembro para presidir a petroleira e o atual presidente, Caio Paes de Andrade, já tenha comunicado que deixará o cargo de presidente no início do ano para trabalhar no governo de São Paulo, o senador Jean Paul Prates irá demorar a assumir o posto em função de trâmites internos.
Apesar das apostas se voltarem ao nome de Fernando Borges, atual diretor de E&P, a tendência é de que a escolha do presidente interino recaia sob um dos outros sete diretores da companhia – João Henrique Rittershaussen (Desenvolvimento da Produção), Rodrigo Costa Lima e Silva (Refino & Gás Natural), Rodrigo Araújo Alves (Financeira e de Relacionamento com Investidores), Cláudio Mastella (Comercialização & Logística), Salvador Dahan (Governança & Conformidade), Rafael Chaves (Relacionamento Institucional & Sustentabilidade) e Paulo Palaia (Transformação Digital & Inovação -, até que todo o processo de aprovação da indicação Jean Paul Prates seja concluído.
Segundo fontes da Petrobras, Prates só deverá tomar posse no final de março ou abril, havendo uma chance pequena de o prazo poder ser antecipado para fevereiro, no melhor dos cenários, a depender dos desdobramentos internos de aprovação da indicação e do processo de sucessão.
Fernando Borges atuou como presidente interino da Petrobras, em junho de 2022, por uma semana, durante o processo de transição da gestão de José Mauro Coelho para Caio Paes de Andrade e, por isso, fontes do alto escalão apostam que seja feito um rodízio entre os diretores. O executivo foi nomeado para assumir a vaga no dia 20 de junho, quando Coelho renunciou ao cargo.
Apesar de a indicação de Prates ter sido confirmada na sexta-feira (30/12), até a tarde desta segunda-feira (02), o governo não enviou nenhum ofício para a Petrobras confirmando a escolha do senador do PT . O recebimento do documento é ponto de partida para que a companhia dê início ao processo de BCI (Background Check de Integridade) do executivo.
Para assumir a Petrobras, Jean Paul Prates terá que ter o nome aprovado internamente na petroleira. Após o recebimento do ofício, a indicação do senador será encaminhada à área de Governança & Compliance da companhia para elaboração de BCI (background checks).
Depois de concluído, o BCI será encaminhado para Comitê de Pessoas da petroleira (Cope), que terá a função de avaliar a indicação. O grupo é presidido atualmente pela conselheira Iêda Aparecida de Moura Cagni, que assumiu um dos assentos do Conselho de Administração em agosto, após ter o nome indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
O Cope é formado hoje apenas por conselheiros indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Além de Iêda Aparecida Cagni, o comitê conta com Gileno Gurjão Barreto, atual presidente do Conselho de Administração da Petrobras, e Edison Antonio Costa Britto Garcia, tendo Ana Silvia Corso Matte como membro externo.
Tradicionalmente, todo o processo de BCI de executivos de fora da Petrobras se arrasta por três a quatro semanas. O processo de aprovação do nome de Caio Andrade para a presidência da Petrobras consumiu 38 dias.
Segundo o regime interno da Petrobras, em caso de vacância, a indicação do presidente interino é feita pelo presidente do Conselho de Administração, que tem a prerrogativa de consultar o presidente da companhia que está deixando o cargo. A escolha é feita sob um dos membros da Diretoria.
Além do ofício com a indicação de Jean Paul Prates, é esperado também que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva encaminhe documento com a indicação dos novos conselheiros da petroleira. A formação atual do colegiado conta com 11 membros, sendo seis indicados na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro e eleitos em agosto (Caio Paes de Andrade, Gileno Gurjão Barreto, atual presidente do colegiado, Edison Antonio Costa Britto Garcia, Ricardo Soriano de Alencar, Jonathas Assunção Salvador Nery de Castro e Ieda Aparecida de Moura Cagni), quatro representantes dos minoritários (Marcelo Gasparino da Silva e José João Abdalla Filho, eleitos pelo sistema de votos múltiplos, a exemplo dos conselheiros da União, Marcelo Mesquita de Siqueira Filho e Francisco Petros) e mais Rosangela Buzanelli Torres, representante dos funcionários da petroleira.
A exemplo de outras sucessões, a aprovação dos nomes dos futuros conselheiros indicados pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva terá que seguir o mesmo trâmite interno do processo de Jean Paul Prates. O processo de eleição dos novos conselheiros será feito em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), a ser realizada com prazo mínimo de 60 dias, após a aprovação dos nomes e a convocação do processo.
O caminho de Prates até a presidência da Petrobras poderá ser encurtado, caso os conselheiros atuais optem por eleger o senador como substituto, após aprovação de seu BCI. Para isso, o colegiado teria que convocar uma reunião extraordinária, ficando a indicação para ser oficializada após a realização do AGE, que elegerá os novos conselheiros.
Até o momento não há sinalização se os conselheiros irão aprovar ou não o nome de Jean Paul como interino. Há dúvida se o colegiado, cuja maioria foi indicada no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, irá endossar a agilização do processo.
“Não temos nenhuma visão fechada ainda, mas não vejo grande chance de o conselho atual eleger uma pessoa indicada pelo PT. O parecer do BCI será fundamental para endossar a decisão de cada conselheiro atual”, afirma uma fonte do Conselho de Administração da Petrobras.
Grande parte dos atuais conselheiros da União é formada por executivos que integram empresas e cargos de governo. A lista inclui AGU, Serpro e outras autarquias.
Além da indicação dos novos conselheiros, é certo que haverá mudanças nas Diretorias da Petrobras. A projeção é de que todos os executivos do alto escalão sejam substituídos e que sejam nomeados também novos gerentes executivos e gerentes gerais para a linha de frente da petroleira.
A Petrobras tem, ao todo, 38 gerências executivas e sete gerências gerais, estruturadas na linha de frente do seu organograma. Essas áreas ficam ligadas diretamente às Diretorias.
A estrutura principal da petroleira conta ainda com outras quatro gerências executivas que atuam diretamente vinculadas ao presidente da petroleira – Recursos Humanos, Gestão de Portfólio, Estratégia e Planejamento e Jurídico.
Segundo apurado, parte dos diretores da petroleira e dos novos executivos que irão comandar as empresas ligadas ao sistema Petrobras será oriunda de fora do atual quadro da empresa. Parte das escolhas recairá sob ex-funcionários da estatal e nomes do setor oriundos de áreas e instituições próximas ao PT.
Fonte: Brasil Energia