
RFI é direcionada à unidade de 3 mil m e traz surpresas
A Petrobras analisa a possibilidade de alterar o atual modelo contratual de afretamento de novas sondas para sua frota. A companhia lançou em 1º de outubro consulta ao mercado para coletar informações sobre a aceitação das empresas de perfuração em relação à adoção da sistemática de contratação atrelada à cláusula de bônus por performance.
Encaminhada às principais empresas de perfuração do Brasil e do exterior, que encaminharam seus relatório na segunda-feira (20/10), a RFI (Request for Information) é focada ao afretamento de unidades, do tipo navio-sonda e semissubmersível, com capacidade de operação em lâmina d´água superior a 3.048 m e equipadas com posicionamento dinâmico. Além do serviço de perfuração, o escopo do processo contempla também a prestação de serviços de avaliação, completação, workover e abandono.
No processo, a Petrobras relacionou uma série de perguntas às companhias, apresentando os detalhes da metodologia de cálculo do bônus de performance. Extenso e complexo, o documento da clausula de remuneração por desempenho possui um total de 12 páginas.
Na prática, a remuneração de desempenho será obtida pela multiplicação do fator de desempenho pelo valor da taxa diária de afretamento. A RFI da petroleira lista os tempos operacionais de execução de 30 procedimentos distintos do contrato, como a fase de perfuração, teste e reconexão de BOP, atribuindo percentuais de bônus para cada etapa.
A estratégia em estudo visa, segundo a Petrobras, otimizar a utilização do recurso, incentivar a cooperação entre contratante e contratada, aprimorar o desempenho das atividades operacionais e de SMS durante a construção de poços e compartilhar os benefícios assegurados com agilização da operação.
Reação
A proposta de contratação com cláusula de desempenho surpreendeu o mercado. Embora a utilização desse tipo de contrato seja relativamente comum entre as IOCs, a Petrobras não adota esse tipo de metodologia há bastante tempo nos novos afretamentos.
Os contratos mais recentes da petroleira brasileira de afretamento de sondas são todos selecionados tendo em vista apenas os valores das taxas diárias. Algumas poucas unidades de perfuração da frota remanescente de contratos mais antigos possuem cláusula de performance, restrita apenas a algumas operações pontuais.
A metodologia de contratação com cláusula de bônus por performance foi utilizada pela Petrobras com mais frequência nos anos de 2009 e 2010, quando havia escassez de sondas frente ao grande número de campanhas. À época, voltado para apenas algumas etapas das campanhas de perfuração, o sistema tinha por objetivo buscar agilizar a operação das unidades, com vistas a permitir uma maior rotatividade de equipamentos nos projetos.
Análises preliminares dos dados disponibilizados na RFI apontam para a possibilidade de ganhos expressivos com os bônus de performance. A percepção do mercado é que a Petrobras tem expectativa de que a adoção do sistema de cláusula de desempenho possa forçar a queda das taxas diárias na licitação.
Especialistas e executivos da área de perfuração defendem que esse tipo de contrato exige transparência em relação do programa de construção dos poços e previsibilidade contratual.
Fonte: Revista Brasil Energia