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Clippings - 04/05/21

Petrobras adota precificação gás-gás com base no Henry Hub

Diante do pleito de associações que procuram desatrelar o preço do gás nacional da cotação do Brent, a Petrobras aprovou, na segunda-feira (3/5), novos modelos contratuais de venda da molécula com referência no índice Henry Hub. Com o indexador gás-gás, as distribuidoras terão uma alternativa às modalidades baseadas na cotação do Brent. Segundo a estatal, o novo modelo é uma alterativa que oferece menor volatilidade, tendo em vista que não abre mão do alinhamento com os preços internacionais.

Conforme antecipado pelo PetróleoHoje, entidades como a Abiquim já tinham iniciado uma movimentação em Brasília, junto ao Ministério da Economia, para mudar o padrão de referência que ancora a metodologia de precificação da Petrobras. Na ocasião, a diretora de Economia e Estatística da Abiquim, Fátima Giovanna Coviello, questionou a indexação do preço do gás ao Brent, tendo em vista que o gás tem a sua própria precificação no mercado internacional.

Ainda de acordo com aquela reportagem, o gerente de Gás Natural da Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e de Consumidores livres (Abrace), Adrianno Lorenzon, disse que era preciso estabelecer um benchmark nacional que refletisse as condições de oferta e demanda do gás no mercado nacional. Questionado sobre a indexação ao Henry Hub, o executivo declarou que a simples alteração do Brent ao Henry Hub não se traduziria em preços mais competitivos para o gás, já que os componentes regionais de precificação do gás brasileiro são completamente distintos dos componentes regionais de precificação do gás norte-americano.

O argumento de Lorenzon acerca da utilização de um benchmark nacional, no entanto, serviu de base para o documento assinado por Paulo Pedrosa, líder do movimento Gás Para Sair da Crise e presidente da Abrace. Na carta, endereçada ao presidente da Petrobras, Joaquim Luna e Silva, na última quarta-feira (28/4), cerca de 70 entidades setoriais sugeriram uma revisão da metodologia de cálculo da estatal.

“Há uma tendência no mundo de desvinculação do preço do gás em relação ao petróleo (ou óleo combustível). Entendemos oportuno avaliar a utilização de benchmarks que melhor refletem as condições do mercado brasileiro”, disse Pedrosa, no documento.

Procurado pelo PetróleoHoje, Paulo Pedrosa informou que se reunirá amanhã (4/5), às 18h, com a Petrobras para discutir três pontos: buscar mecanismos que sejam de interesse da Petrobras e dos consumidores para mitigar o aumento de 39% nos preços do gás; discutir metodologias distintas de precificação do gás pela Petrobras; e discutir alternativas para acelerar o novo mercado de gás.

Para Pedrosa, é bom que a Petrobras ofereça novas alternativas. No entanto, o entendimento é que apesar de as indústrias não serem clientes da Petrobras, já que consomem o gás através das distribuidoras, são elas que devem dizer qual a melhor indexação. “Defendemos a utilização do Henry Hub como fator de correção, sem mexer no preço atual”, afirmou.

Henry Hub

Em nota, a Abrace comunicou que a alternativa proposta não mitiga o aumento de 39% tampouco significa preços mais competitivos. A entidade defende ainda que as distribuidoras, intermediárias da molécula, devem permitir aos seus clientes a escolha da metodologia de precificação. Por fim, o prazo dos novos contratos deve ser reduzido e sem incentivos para direcionar a contratação de longo prazo, a fim de facilitar a migração para um mercado concorrencial.

Já a Abegás informou que até o momento não teve acesso ao detalhamento do novo modelo proposto pela Petrobras. Portanto, antes de emitir qualquer comentário, entende ser necessária uma análise mais aprofundada da proposta.

Às 11h de segunda-feira (3/5), o Henry Hub estava cotado em US$ 2,96 por milhão de BTU, o que se traduz, de acordo com a cotação da moeda brasileira, em R$ 16 por milhão de BTU.

Fonte: Revista Brasil Energia