Após concluir o afretamento de 19 navios de empresas privadas, a Petrobras fez nova consulta ao mercado, conforme apurou esta coluna. Quer saber do interesse dos armadores em repetirem a operação em relação a 20 novos navios. Com isso, dentro de algum tempo a estatal teria nada menos de 39 navios particulares lhe prestando serviços, nos moldes do esquema usado para barcos de apoio – pelo prazo inicial garantido de 15 anos.
Pelo sistema, a estatal estabelece disputa pública e o vencedor tem direito a alugar navios para a Petrobras, em operação em que todos ganham: a estatal, em vez de afretar em dólares, como hoje, o faz em moeda brasileira; os armadores passam a ter um novo mercado, bem como marítimos e estaleiros. E o Brasil passa a sofrer menos pressão cambial, com tendência a diminuição do déficit de fretes, estimado em US$ 16 bilhões por ano. Na hora de contatar o BNDES, o contrato com a empresa número um do país ajuda nas negociações, pois serve como garantia ao banco.
Desta vez, serão três Aframax, três Panamax, quatro de produtos claros e quatro de escuros, dois navios handy-max, dois gaseiros grandes e dois gaseiros menores. A construção terá de ocorrer no Brasil e os navios terão de desfraldar o pavilhão verde e amarelo.
No último dia 4, a estatal assinou contratos com os armadores privados Kingfhis do Brasil (três navios) e Pancoast (quatro navios). Antes, foram assinatos contratos com Global, Elcano, São Miguel e Delima. Diz nota da estatal: O programa EBN é parte integrante de um conjunto de iniciativas da Petrobras para estimular a construção naval no Brasil. Essa ação pretende reduzir a dependência do mercado externo de fretes marítimos, gerar empregos e tem como referência parâmetros internacionais de custos e qualidade.
Na década de 80, pouco antes da quebra da construção naval, estaleiros e armadores propuseram esse modelo à Petrobras, com apoio do diretor de Transportes, Maximiano da Fonseca. O Plano Max teria salvado estaleiros e dado alento a armadores, além de aliviar a pressão cambial do país – àquela época um enorme problema, pois faltavam dólares, mas a diretoria da Petrobras e o governo não aceitaram a novidade, que agora se impõe com enorme intensidade.
Esse esforço é paralelo ao aumento de frota da Transpetro, subsidiária da Petrobras que tem 52 navios e está encomendando mais 49. Assim, além de contar com frota própria, a Petrobras terá navios alugados no mercado interno e ainda navios estrangeiros afretados.