
A Petrobras anulou o bid voltado ao afretamento de embarcações do tipo PLSV, com prestação de serviços de lançamento e instalação de equipamentos submarinos. A estratégia foi formalizada aos participantes no dia 13 de fevereiro, surpreendendo as empresas e gerando bastante repercussão.
A anulação, segundo o comunicado da Petrobras, foi motivada por divergências na cláusula de suspensão temporária do contrato, prevista no edital. A petroleira informou que a comissão de licitação deliberou sobre a questão, dando informações aos participantes, sem ter o aval da Diretoria.
O enfoque dado pela Petrobras no comunicado é que a utilização da cláusula de suspensão para garantir a entrega da embarcação dentro do período estabelecido no edital foi mal empregada pela comissão de licitação.
A opção pela anulação e não pelo cancelamento, de acordo com fontes, respalda a Petrobras de eventuais questionamentos na Justiça. Surpreendidas pela decisão, alguns proponentes já solicitaram maiores esclarecimentos da Petrobras sobre a decisão de anular o processo.
Após a anulação, a grande dúvida é qual será a estratégia adotada pela Petrobras para contratar novos barcos PLSV. A companhia precisa de novos barcos para atender sua campanha de trabalho.
Recentemente, a Petrobras estendeu o contrato do barco Seven Cruzeiro, que atua no momento operando dentro da frota da companhia. O contrato do navio encerrava agora, mas a petroleira estendeu o prazo contratual até dezembro de 2023.
Antes de anular a licitação, a Petrobras havia classificado a Sapura em primeiro lugar. A comissão de licitação desqualificou a Subsea 7 e a TechnipFMC / DOF, alegando que os barcos ofertados pelas duas empresas não estariam disponíveis no prazo exigido pela petroleira.
Tanto a Subsea 7 quanto a TechnipFMC/ DOF chegaram a entrar com recurso, questionando a decisão da Petrobras.
A aposta era de que a Sapura fosse levar contratos para os barcos Onyx, Jade e Esmeralda. Na média, as taxas oferecidas pelo grupo giraram ao redor de US$ 270 mil/dia .
A Petrobras vinha avaliando as propostas há cerca de quatro meses. Lançado no início de junho, o bid estava dividido em quatro lotes distintos, sendo que a petroleira não especificava no edital o número de PLSVs a serem afretados.
Juntas, Sapura, Subsea 7 e TechnipFMC / DOF ofertaram cinco PLSVs, apresentando um total de sete propostas. As ofertas apresentadas ficaram abaixo do patamar de US$ 300 mil/dia, exceto pela proposta da TechnipFMC / DOF.
O lote de maior disputa do bid foi B, direcionado a PLSV para águas ultraprofundas de bandeira estrangeira, que recebeu um total de quatro propostas. A Sapura ofertou o melhor preço com a taxa diária equivalente de US$ 273.829,09, pelo Sapura Ônix; seguida pela Subsea 7, com taxa diária de US$ 293.047,77, pelo Seven Cruzeiro; Sapura, com o PLSV Sapura Jade por US$ 294.112,73/dia; e TechnipFMC/ DOF, com preço de US$ 344.384,41/dia pelo Skandi Açu.
No lote A, direcionado a embarcações de águas ultraprofundas de bandeira nacional, apenas a TechnipFMC / DOF apresentou proposta, ofertando o Skandi Açu, com taxa de US$ 366.746,44/dia.
Voltado a PLSV para águas profundas com bandeira nacional, o pacote C teve apenas proposta da Sapura, que ofertou o Sapura Esmeralda, com taxa diária de US$ 212.300, a mais baixa de todo o bid. O lote D, destinado a embarcações de águas profundas de bandeira estrangeira recebeu também somente uma oferta da Subsea 7 para o Seven Cruzeiro, no valor de US$ 293.047,77/dia.
O prazo de afretamento dos PLSVs era de 1.095 dias, com possibilidade de extensão. Os PLSVs afretados no bid teriam que estar disponíveis para operação a partir de julho de 2023 ou 180 dias a partir da assinatura do contrato.
A Petrobras mantém sob contrato, no momento, 17 PLSVs afretados da Sapura, Subsea 7, TechnipFMC e DOF.
Fonte: Revista Brasil Energia