A Petrobras avalia a contratação de sete FPSOs, todos com conteúdo local definidos e significantes, segundo o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da empresa, Carlos Travassos. Os estudos mais adiantados são os de construção das unidades de produção de Marlim Sul e Marlim Leste, localizados na Bacia de Campos. A estatal estuda também a revitalização de Tupi, na Bacia de Santos.
A opção será pelo modelo de EPC (Engineering, Procurement and Construction), contrariando as últimas licitações da empresa, que tem optado pelo afretamento. O aquecimento do mercado de fornecedores e a dificuldade de financiar embarcações estão sendo obstáculos ao avanço dos projetos.
O edital da licitação de Marlim Leste e Sul vai sair no fim deste ano e a perspectiva é de um prazo de sete a oito meses para os fornecedores apresentarem suas propostas. É possível também que tenham recursos e a Petrobras considera levar ainda mais um tempo para concluir as negociações com as empresas que apresentarem os melhores valores. Isso significa que o início da construção não sai antes de 2026.
A unidade será “significativa, robusta e moderna”, nas palavras de Travassos. “Vai ser a mais moderna em Marlim Sul e Leste”, complementou ele, que não quis adiantar quais são as plataformas em avaliação, além de Marlim Sul e Leste e de Tupi.
Travassos enfatizou, no entanto, que todas elas estão associadas a cláusulas de conteúdo local, definidas nos contratos de concessão assinados com a ANP. A Petrobras tem demonstrado interesse, principalmente, na construção de módulos no Brasil e não os cascos das embarcações.
Durante a Offshore Technology Conference (OTC), em Houston (EUA), na semana passada, a estatal se reuniu com estaleiros estrangeiros e nacionais na tentativa de fomentar uma parceria entre eles e contribuir para aumentar o índice de aquisições internas em suas contratações. A iniciativa foi elaborada em parceria com o Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP).
“A ideia é de uma parceria tecnológica, em que os estaleiros estrangeiros trariam tecnologia para os estaleiros brasileiros. Isso funciona bem para desenvolver a infraestrutura. Não é uma iniciativa da Petrobras para recuperar a indústria naval. Mesmo a Petrobras, com o seu tamanho, não consegue fazer isso. Isso passa por um processo de construir uma competitividade e demanda perene”, afirmou Travassos.
Ele argumenta que estaleiros estrangeiros, como os asiáticos, podem se interessar pelo investimento no Brasil por conta das exigências de conteúdo local, inclusive da Petrobras. Travassos ressalta que, além das quatro unidades previstas no planejamento estratégico a serem contratadas (Albacora, Sergipe Águas Profundas I e II e Barracuda-Caratinga), há outras duas com conteúdo local elevado no radar da empresa.
“Os nossos projetos do passado tinham um tamanho. A complexidade dos nossos reservatórios aumentou e nos obrigou a construir unidades maiores. No passado, se falava em 50% de conteúdo local para cerca de 17 mil toneladas (contratadas), em números grosseiros. Nos dias de hoje, um topside tem 60 mil toneladas cada um. Trinta por cento disso são muito mais componentes, equipamentos, aços a serem processados. É um pico de demanda posta”, disse.
Antecipando-se a possíveis questionamentos, Travassos colocou que as contratações recentes estão concentradas na Seatrium, porque ela “é uma empresa que acreditou no Brasil, que tem três estaleiros no país”. A Seatrium venceu, recentemente, a licitação para construir as plataformas P-84 e P-85, de Sépia e Atapu.
Fonte: Revista Brasil Energia