A Petrobras pretende colocar em operação um novo sistema definitivo de produção por ano em Libra, começando pela área noroeste do bloco. O primeiro dos quatro sistemas entra em operação em 2020 e deverá ter capacidade de 180 mil bopd e um total de 17 poços. Os demais entram nos anos subsequentes. As informações são do gerente executivo de Libra, Fernando Borges.
Em apresentação nesta quinta-feira (27/10), o executivo afirmou que a obtenção de waiver para o FPSO do Piloto de Libra é imprescindível para a execução do projeto. A construção e operação da plataforma são objeto de um rebid lançado pela Petrobras em outubro.
“Precisamos ter sucesso na negociação de waiver onde a indústria nacional não foi competitiva. Queremos conteúdo local, mas competitivo”, disse o executivo. O pedido da Petrobras está sendo analisado pela ANP.
Hoje, uma das principais preocupações do consórcio responsável pelo empreendimento – formado pela Shell (20%), Total (20%), CNOOC (10%) e CNPC (10%), além da operadora Petrobras (40%) –, é a redução de custos, tendo em vista a queda do preço do barril desde 2014, quando o projeto já estava concebido.
O programa Libra 35, que visa reduzir para US$ 35/barril o breakeven do empreendimento, já trouxe otimizações, como a possibilidade de usar catenárias livres nas linhas que ligam o poço à plataforma, sem o uso de boias. Outra alternativa em estudo é fazer a estimulação dos poços pela própria unidade da produção, evitando o custo de levar uma sonda de perfuração ou de workover para cima do poço.
O consórcio estuda ainda alternativas como a redução do diâmetro da linha de serviço, o relaxamento das especificações da unidades de gás tratado na plataforma, entre outras.
Reinjeção
Devido ao alto teor de CO2 no gás de Libra (na faixa de 45%), a Petrobras deve reinjetar todo o gás produzido no Piloto de Libra. Em relação a Libra 2, a exportação de gás ainda está sendo estudada.
Com capacidade para produzir 180 mil barris/dia e processar 12 milhões de m³/d, o FPSO do Piloto de Libra terá 30 mil t somente de topside. Para efeito de comparação, os FPSOs Cidade de Saquarema e Mangaratiba têm cerca de 22 mil t de topside cada um.
“Estamos no limite de conversão de casco de um VLCC. Se formos acomodar toda a unidade de tratamento de gás e H2S, teríamos que diminuir a planta de 180 mil b/d pra 120 mil b/d pra tratar o gás produzido”, observou Borges.
Libra 1 terá 17 poços, sendo oito produtores e nove injetores. A ideia é trabalhar com cinco produtores no início e seis injetores e deixar de cinco a seis poços para implantar posteriormente. Os outros poços devem entrar de quatro a cinco anos depois de iniciada a produção.
Borges destacou que serão utilizados, pela primeira vez, risers de 8”, o que permitirá uma vazão de até 40 mil barris/d por poço.
Avanço
No último dia 22, a Petrobras conclui a completação do primeiro poço produtor de Libra, com a instalação da uma árvore de natal molhada na área. A unidade é a primeira das quatro que serão fornecidas pela FMC Technolgies para os testes antecipados, que começam no ano que vem.
O TLD será conduzido pelo FPSO Pioneiro de Libra, contratado ao consórcio OOG/Teekay. As obras da unidade estão 80% concluídas.