
A Petrobras poderá ampliar seus investimentos se avaliar que existem novos projetos de qualidade nos quais deve apostar, segundo o presidente da companhia, Jean Paul Prates, que participou de coletiva de imprensa para apresentar o resultado financeiro do primeiro trimestre. Entre as áreas com possibilidade de receber novos aportes está a de transição energética.
“Para uma empresa de petróleo, isso seria uma ressignificação. No limite, representa assumir uma nova atividade, o que exige uma negociação com acionistas e investidores”, afirmou Prates. Segundo o presidente da Petrobras, a questão é avaliar a estratégia da companhia de olho no presente e no futuro, tendo como foco a rentabilidade dos projetos.
Ele comparou o direcionamento da estratégia da companhia para produtos relacionados à transição energética à história do pré-sal, em que críticos ao projeto argumentavam que o desenvolvimento da região seria economicamente inviável. Ainda assim, a companhia apostou no pré-sal, que hoje é o seu principal ativo e o que recebe mais investimentos.
A Petrobras está, nesse momento, numa fase de revisão do seu portfólio, que deve ser divulgado no fim do ano, como ocorre tradicionalmente. Entre as análises está a revisão do programa de desinvestimentos e também da decisão tomada nos governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro de encolher a presença estatal na área de gás.
A visão da atual administração é de que o contexto na indústria do petróleo mudou desde 2019, quando foi assinado o Termo de Compromisso de Cessação (TCC) com o Cade, no qual a empresa se comprometeu a se desfazer de uma série de ativos no setor. Na tentativa de reverter o quadro, a Petrobras retomou as conversas com o órgão antitruste.
“Não vamos descumprir o acordo. Vamos conversar, porque os pressupostos mudaram”, disse Prates, argumentando ainda que a decisão de se desfazer dos ativos de gás (na gestão do ex-presidente Roberto Castello Branco) foi tomada sem que tivessem sido feitos estudos para isso. “Vamos colocar em nova perspectivas. Queremos rever o acordo a partir de novas perspectivas”, complementou.
Margem Equatorial
Da mesma forma, a Petrobras mantém conversa com a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, sobre a exploração da margem equatorial brasileira. Recentemente, um estudo interno do Ibama sugeriu que fosse negado à empresa o licenciamento para que a empresa perfurasse poços na região. A margem equatorial, no entanto, é considerada o “novo pré-sal” e, por isso, tem atraído o interesse das grandes petroleiras, inclusive da Petrobras.
“Não existe tensão com a Marina ou com o Ibama. Estamos conduzindo o caso com respeito a todas as condicionantes. Essa é uma decisão do Estado brasileiro. É uma nova fronteira que o país vai escolher se quer explorar agora”, destacou Prates.
Os equipamentos direcionados ao Amapá, motivo da indicação de técnicos do Ibama para que o órgão negasse o licenciamento, poderão ser direcionados a outras bacias da margem equatorial. Inicialmente, a previsão é encaminha-los à Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte.
Na área de E&P, a companhia ainda avalia participar de negócios no exterior, caso surjam oportunidades, inclusive com petrolíferas de grande porte, as majors, ou por meio de licitações. O plano estratégico que deve ser divulgado no fim do ano deve tratar de oportunidades no Brasil e no exterior.
Fonte: Revista Brasil Energia