
A Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) apresentou, na última terça-feira (19), o projeto desenvolvido pela parceria entre a unidade Embrapii-UFSCar-Materiais e a Petrobras, para uso de novos materiais na produção de petróleo e gás. Em comunicado divulgado na segunda-feira (25), a universidade informou que a apresentação do projeto “Fragilização Hidrogênio Titânio” reuniu autoridades da instituição, representantes da Petrobras e da Embrapii-UFSCar, além de estudantes, docentes e demais convidados.
O projeto tem investimentos de aproximadamente R$ 5 milhões e possui estimativa de duração de 36 meses. Além disso, conta com atuação do Centro de Caracterização e Desenvolvimento de Materiais (CCDM) e colaboração do Laboratório de Caracterização Estrutural (LCE) e do Laboratório de Hidrogênio em Metais (LHM), todos ligados ao CCET.
O início do projeto foi em janeiro deste ano no Departamento de Engenharia de Materiais (DEMa) da UFSCar, e a pesquisa envolve a introdução de tubulações de ligas de titânio em plataformas de petróleo marítimas. Segundo o docente do DEMa e coordenador do projeto, Claudemiro Bolfarini, “trata-se da aplicação desta família de ligas em um novo ambiente, demandando maior conhecimento tecnológico na área de integridade estrutural.”
O coordenador ainda explicou que, além dos testes, é preciso ter conhecimento de ciência básica e compreender o que acontece com o material em ambiente extremo, como na transição entre os tubos de aço rígidos e as tubulações de chegada já fixas na plataforma. Com o conceito em mente, pode-se indicar se utiliza ou não do material e em quais condições.
O consultor sênior da Petrobras nas áreas de Metalurgia e Soldagem, Marcelo Torres Piza Paes, aponta que o objetivo maior desta iniciativa é aprofundar o conhecimento sobre as ligas de titânio, ainda pouco usadas na área offshore, expostas à água do mar e sujeitas à hidrogenação pelo sistema de proteção catódica de plataformas tipo FPSO, em que é necessário o uso de materiais de alta resistência à corrosão, fadiga e à fragilização pelo hidrogênio.
“Nossos projetos têm, no mínimo, quatro estudantes da Instituição, seja de graduação, pós-graduação ou pós-doc”, informou o coordenador do de projetos da Embrapii-UFSCar, professor Ernesto Chaves Pereira. Ele entende que isto pode desenvolver uma qualidade técnica e habilidades diferentes dos estudantes da instituição em empresas parceiras.
Criada em 2020, a unidade Embrapii UFSCar-Materiais é vinculada ao Centro de Ciências Exatas e de Tecnologia (CCET) do Campus São Carlos da Instituição. Alguns de seus objetivos são pesquisa, inovação e desenvolvimento na área de Materiais; a busca de novos parceiros e empresas para o desenvolvimento de projetos; e a formação de pessoal qualificado, incluindo estudantes de graduação e pós-graduação.
Fonte: Revista Brasil Energia