Após interromper tratativas com a Exmar, estatal tenta reduzir taxa diária ofertada pela companhia japonesa
A novela do afretamento do FPSO de Búzios enfim caminha para um desfecho. Nesta sexta-feira (15/2), depois de longo imbróglio com a Exmar, a Petrobras fará a primeira reunião de negociação direta com a Modec, empresa que apresentou o segundo melhor preço na licitação para contratação da unidade de produção.
Na prática, o encontro determinará se a Petrobras seguirá negociando com a japonesa na tentativa de rever a taxa diária apresentada na licitação, no valor de US$ 815 mil, ou se a comissão de licitação lançará uma nova concorrência para afretar o FPSO para o ativo da cessão onerosa.
A reunião foi marcada para o final da tarde de hoje, quase três meses depois de a petroleira solicitar à Modec a revalidação de sua proposta.
Com o acordo, a Petrobras evitaria o lançamento de uma nova licitação, já sob as regras da Lei de Estatais (13.303/2016) – em um processo que poderia se arrastar por meses –, enquanto a Modec garantiria um novo contrato de FPSO com características semelhantes às unidades que estão em construção para a Petrobras. Parte do mercado questiona, porém, sua capacidade para executar tantas obras.
Apesar do interesse de ambas as partes, a missão não será fácil. A petroleira tentará trazer o preço para um patamar próximo da taxa ofertada pela Exmar, mas a Modec tende a não ser tão maleável na negociação, uma vez que a diferença entre as duas propostas é expressiva.
A Exmar ofertou taxa diária de US$ 635 mil, mas não conseguiu apresentar financiamento, o que impossibilitou a assinatura do contrato. Afora a pendência, a Petrobras detectou um problema de compliance com o grupo belga, e o Conselho de Administração não se mostrou confortável em aprovar o contrato diante da incerteza quanto à real capacidade de execução da obra pela a falta de experiência da empresa com FPSOs.
As propostas comerciais da licitação, lançada em maio de 2017, foram abertas em junho do ano passado. Na ocasião, tanto a Exmar quanto a Modec apresentaram proposta com conteúdo nacional alto e baixo, conforme previsto pelo edital. No entanto, como o preço com compromisso local maior não ficou acima do orçamento da Petrobras, o segundo envelope não chegou a ser aberto.
Segundo uma alta fonte da estatal, a Exmar já foi excluída do processo não só por não ter apresentado a garantia de financiamento como pelo fato de o prazo de validade da sua proposta já ter expirado. As empresas não mantêm mais qualquer tipo de negociação desde o final do ano passado.
A Exmar chegou a contratar a Doris para fazer o projeto de engenharia do FPSO. A empresa francesa vinha executando o trabalho, mas, no início do ano, paralisou as atividades por falta de pagamento, dispensando a equipe.
Uma fonte ligada à Exmar afirma, no entanto, que o financiamento está para ser fechado até o fim de fevereiro.
A companhia previa construir o FPSO de Búzios V a partir de um casco novo e dividir a obra entre China e Brasil. Búzios V seria o primeiro FPSO próprio da Exmar, que opera apenas uma unidade deste tipo na Líbia. O grupo tem experiência na área de navios de gás, com mais de oito FLNGs em carteira.
O FPSO Búzios V será instalado na parte norte do campo e terá capacidade para produzir 180 mil bopd e processar 12 milhões de m³/dia de gás. O prazo de afretamento é de 21 anos, com possibilidade de prorrogação por igual período.
Em função da demora no processo de afretamento da unidade de produção, a Petrobras acabou revendo a data de entrada em operação do projeto no Plano de Negócios 2019-2023, divulgado no final do ano passado. Ao invés de 2020, como inicialmente previsto, o primeiro óleo do quinto módulo de Búzios foi adiado para 2021.
Fonte: Revista Brasil Energia