
A Petrobras e sócios no campo de Mero – Shell, TotalEnergies, CNOOC, CNODC e PPSA – vão investir o total de U$ 1,7 bilhão no HISEP® até 2028, quando a tecnologia entra em operação no Projeto Piloto de Mero 3. A informação foi divulgada pelo presidente da empresa, Jean Paul Prates, em evento para apresentar a tecnologia no Cenpes nesta terça-feira (20), que contou com a presença dos diretores de Exploração & Produção, Joelson Mendes, e de Engenharia, Tecnologia e Inovação, Carlos Travassos.
Patenteado pela Petrobras e desenvolvido pelo Cenpes com participação da Universidade de Itajubá (Unifei), o HISEP® viabiliza a separação submarina do óleo e gás associado produzidos, com injeção do CO2 diretamente no reservatório, evitando a emissão de gases poluentes e permitindo reduzir o peso da plataforma em até 65%, bem como reduzir o número de pessoas embarcadas em alto mar.
“O HISEP® é mais uma tecnologia onde a gente mostra não só a capacidade, mas a vontade da Petrobras de fazer a descarbonização das atividades de petróleo. Descarbonizar a atividade de petróleo é fundamental para a transição energética justa e responsável, porque faz com que a gente consiga ainda, por necessidade, utilizar hidrocarbonetos, só que com impacto mitigado”, disse Prates.
Desenvolvido desde 2014, o projeto já consumiu investimentos de U$ 200 milhões para a construção do Centro Tecnológico do Pré-Sal Brasileiro (CTPB), na Unifei, em Itajubá (MG).
Em janeiro de 2024 a Petrobras fechou contrato com a FMC Technologies do Brasil, subsidiária da TechnipFMC, para projeto, construção e instalação da unidade piloto do HISEP® e sua infraestrutura, incluindo a interligação com os poços produtores, injetores e a planta de processamento do FPSO Marechal Duque de Caxias, unidade produtora de Mero 3. O contrato também inclui um programa de testes com o objetivo de alcançar a maturidade comercial e tecnológica do sistema.
De acordo com Luana Duffe, VP Executiva de Novas Energias da TechinipFMC, presente no evento, todos os ativos da empresa serão utilizados para a execução do HISEP®, incluindo a base de Macaé, a base de serviço no Porto do Açu, a fábrica de equipamentos submarinos e o centro de tecnologia, instalado ao lado do Cenpes.
“O time está praticamente todo mobilizado, porque a gente queria tanto a experiência e a competência para um desenvolvimento desse porte, como também um mindset com foco em industrialização. A ideia não é entregar esse projeto uma única vez, mas poder entregar em outros projetos”, afirmou Duffe.
Cronograma
Pelo cronograma do projeto, o HISEP® deve entrar em operação em meados de 2028 e, depois de comprovada a tecnologia e concluídos os testes, a ideia é que esteja disponível para uso em outros campos.
“Boa parte da planta de processo na plataforma é dedicada à separação e à injeção de gás. Com o HISEP® eu abro espaço para aumentar a capacidade de produção mesmo nas unidades existentes. Mas isso é para depois da maturidade do projeto, até lá a gente acredita que o HISEP® vai desalavancar muitas soluções intermediárias que podem, então, trazer um avanço e utilização nas nossas unidades”, disse o diretor Travassos.
“Esse desenvolvimento piloto vai mostrar como essa ferramenta vai poder ser usada, inclusive licenciada, para outros parceiros ou para outras empresas interessadas em usá-la no mundo”, completou Prates.
Fonte: Revista Brasil Energia