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Companhia deve apresentar relatório ao IBP nos próximos dias. Empresa e Transpetro planejam missão na Ásia em 2024 para atrair parceiros com expertise para construção no Brasil com mão de obra e tecnologia nacionais
A Petrobras e a Transpetro pretendem organizar, entre abril e maio de 2024, uma missão com representantes da indústria nacional à Ásia. O objetivo é atrair grandes empresas estrangeiras com expertise em construção naval que possam produzir no Brasil com mão de obra local e com tecnologia brasileira. O gerente executivo de relacionamento institucional da Petrobras, João Paulo Madruga, disse, nesta quarta-feira (8), que será apresentado um diagnóstico do setor no Brasil que vem sendo discutido pela operadora e que será enviado, nos próximos dias, ao Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP).
“O Brasil hoje é o maior cliente dos estaleiros de grandes embarcações no mundo na indústria de O&G. Os presidentes Jean Paul Prates (Petrobras) e Sérgio Bacci (Transpetro) pretendem fazer, em 2024, uma missão à China para levar empresas com esse diagnóstico na mão”, disse Madruga, em Brasília, em debate da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval que discutiu a capacitação de recursos humanos para indústria naval e setores impactados.
A ideia, segundo Madruga, é que o relatório seja consolidado após discussão entre representantes da indústria de O&G (IBP), dos estaleiros (Sinaval), além da Transpetro. O diagnóstico também deve ser encaminhado ao governo federal e à frente parlamentar. O gerente afirmou que a Petrobras pretende construir um ‘ambiente único’ de desenvolvimento industrial. A holding e a subsidiária formaram este ano um grupo de trabalho para o mapeamento da situação atual da cadeia produtiva brasileira e das oportunidades que estão no horizonte.
A missão internacional deve incluir visitas a países como China, Coreia do Sul e Cingapura para que empresas brasileiras e entidades setoriais possam fomentar situações concretas de negócios no Brasil. “A curva de aprendizagem foi há muito tempo atrás. Não engatinhamos mais, a qualidade hoje é superior e pretendemos conseguir estabelecer, de forma consistente, uma perspectiva positiva para o setor industrial naval brasileiro”, ressaltou.
Madruga ponderou que a Petrobras acompanha e participa de discussões junto ao governo sobre políticas setoriais. O gerente mencionou que existe preocupação sobre qual será o texto final em caso da aprovação do projeto de lei sobre conteúdo local, que está em discussão no Congresso. Um dos riscos identificados é que o estabelecimento de metas eventualmente acima da capacidade do mercado resulte em atraso das empresas e custos mais elevados, podendo afastar investimentos. “Tem que ser um instrumento bem afinado para que possamos utilizar a política industrial de conteúdo local em favor do país”, afirmou.
Na sessão da frente parlamentar, o secretário de assuntos jurídicos e institucionais da Federação Única dos Petroleiro (FUP), Tezeu Bezerra, lamentou que a Petrobras esteja discutindo a questão junto ao IBP, que tem como membros operadores estrangeiros que atuam no mercado brasileiro de O&G. Bezerra cobrou que a companhia brasileira receba a FUP para discutir as propostas para a indústria nacional que vem sendo apresentadas pela federação desde o início da gestão de Prates.
Fonte: Revista Portos e Navios