A Petrobras está próxima de assinar os primeiros aditivos de contrato resultantes das negociações com as empresas de perfuração para redução de taxas diárias. A comissão de negociação já finalizou parte das negociações e, na semana passada, assinou a primeira ata com a Transocean, devendo acertar outros acordos ao longo desta semana.
A área Jurídica da Petrobras está finalizando a documentação da Transocean, e a expectativa é de que os termos dos aditivos contratuais sejam apreciados pela diretoria da estatal entre esta e a próxima semana.
Além da Transocean, a Petrobras já finalizou os termos dos acordos com a Etesco, Ensco e a Paragon, mas ainda sem assinar as atas. A comissão segue negociando com a Seadrill Petroserv , Helix, Diamond, entre outras, já tendo alinhavado os principais termos de acordo.
De modo geral, as negociações resultaram em reduções nas taxas de afretamento, atreladas à extensão do prazo contratual, algumas com descontos de US$ 60 mil/dia. Também foi assegurado o cancelamento antecipado de alguns contratos de afretamento, sem qualquer ônus à Petrobras, além da colocação de algumas sondas em stand-by, a taxas mais baixas. Os acordos colocaram um fim no pagamento de performance das unidades sob contrato.
A expectativa é de que, ao fim das negociações, pelo menos nove sondas sejam dispensadas, colocadas em stand-by ou que não tenham contratos renovados. O número de unidades com contrato terminando até 2016 será certamente maior, já que hoje existem 13 unidades com contratos por vencer entre dezembro de 2015 e dezembro de 2016. Algumas delas não estão incluídas no processo de negociação por força do bloqueio cautelar, como as sondas Olinda Star e Alaskan Star, da Queiroz Galvão, ou estão com negociações ainda em curso. Entre as liberações já acertadas figuram unidades da Transocean, Diamond, Ensco, Etesco e Paragon.
O resultado já está sendo comemorado pela Petrobras, que deixará de desembolsar alguns bilhões de dólares ao longo dos próximos dois anos. Além do alívio financeiro nos gastos, permitiu a realização de uma limpeza antecipada na carteira de sondas, com a dispensa de todas as unidades fora de adequação com o atual portfólio e sem qualquer penalidade contratual à petroleira. Com o petróleo em baixa e havendo um grande número de sondas sem contrato, a percepção é de que as negociações resultaram em ganhos não só para a petroleira quanto para as prestadoras de serviço.
No caso das negociações com a Transocean, o acordo selará a parada antecipada do Deepwater Navigator, navio-sonda capacitado para perfurar em lâmina d´água de 2 mil m, e da semissubmersível Transocean Driller. O Navigator tinha contrato com a Petrobras até março de 2016, mas será desmobilizado três meses antes do prazo contratual, já em dezembro, enquanto a semi encerará seus trabalhos com dois meses de antecedência, em maio do próximo ano.
A Petrobras e a Transocean acertaram ainda a redução nas taxas diárias de afretamento das unidades Sedco 706 e Dhirubhai Deepwater. Nos dois contratos, haverá extensão do prazo contratual original, determinada a partir de uma equação que considera o valor do desconto em relação ao tempo residual do afretamento sob desconto. O navio-sonda Petrobras 10.000 ficou de fora do processo.
Já com a Ensco, que mantém quatro sondas afretadas à Petrobras, com fim de contrato variando de outubro de 2016 a Julho de 2018, está sendo firmado um acordo para a redução da taxa de afretamento de três unidades, a Ensco 6001, Ensco 6002 e Ensco 6003, com extensão contratual. A Ensco 6004, afretada até outubro de 2016, não terá seu contrato renovado e, de acordo com as negociações poderá ser colocada em stand-by a partir do início do ano que vem, com taxa reduzida.
Nas negociações com a Etesco, ficou estabelecido que o navio-sonda Aban Abraham, com contrato até junho de 2016, continuará afretado, mas terá suas atividades interrompidas até o fim do ano, enquanto o Etesco Takasugu seguirá contratado normalmente, sem qualquer alteração. Alegando falta de recursos para manter a unidade em operação e arcar com os gastos da contratação de serviços voltados à perfuração, a Petrobras também negociou uma taxa mais atrativa e colocará a unidade em stand-by, entre o fim de 2015 e o início de 2016.
Com a Paragon, atualmente com três contratos, as negociações caminham para que a empresa deixe de ter unidades afretadas com a Petrobras até o início do segundo semestre de 2016. A prestadora de serviço e a petroleira já acertaram a devolução antecipada do navio-sonda DPDS2, que estava contratado até março de 2017, e deve ser desmobilizado até o fim deste ano. Também é acertada a redução em um ano do prazo contratual da DPDS3, que está afretada originalmente até agosto de 2017.
Outra empresa ameaçada de ter sua carteira encerrada com a Petrobras é a Noble, que mantém apenas uma unidade sob contrato no Brasil, a semissubmersível Dave Beard, afretada até abril de 2016. Com a Seadrill e a Diamond as negociações giram entorno de redução de taxa, com extensão do prazo contratual e a não renovação de algumas unidades. A tendência é que a Diamond possa vir a ter dois contratos não renovados e a Seadrill, pelo menos um.
Tendo, claramente, mais equipamentos que campanhas e pressionada pela necessidade de cortar custos, a Petrobras seguiu a mesma estratégia de negociação com três sondas de work-over, contratadas à Helix (duas) e à Etesco (uma) e ainda em fase de construção para entrada em operação entre julho de 2016 e janeiro de 2017.
Originalmente, a área de E&P buscava o cancelamento da contratação dos três equipamentos, liberando as duas empresas do pagamento do ônus contratual com a Petrobras. As negociações com a Etesco acabaram fechadas, mantendo o afretamento da unidade, enquanto que a Petrobras ainda segue negociando o futuro dos contratos com a Helix.
A expectativa é de que os primeiros aditivos contratuais das sondas sejam assinados até o fim de setembro e que todo processo possa estar totalmente finalizado até, no máximo, o início de novembro.
Fonte: Revista Brasil Energia