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Clippings - 06/06/17

Petrobras intensifica inspeções em dutos flexíveis

A Petrobras está intensificando as inspeções em dutos flexíveis em operação em seus empreendimentos offshore e estudando soluções – incluindo o desenvolvimento de novos tipos de materiais – em resposta à falha técnica apresentada por uma linha de injeção de gás conectada ao FPSO Cidade de Angra dos Reis, no campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos.

De acordo com a companhia, o problema no equipamento, fornecido pela TechnipFMC, não teve consequências ambientais nem dano a pessoas e foi prontamente controlado pela parada automática do sistema de compressão de gás para reinjeção e fechamento da válvula de segurança de sub-superfície. As investigações sobre o caso estão em andamento.

“Os resultados parciais do trabalho conduzido em conjunto com o fabricante do duto indicam um mecanismo de falha antes desconhecido na indústria de dutos flexíveis e que ocorre na presença de CO2 combinado a outros parâmetros, que estão sendo estudados”, informou a Petrobras via assessoria de imprensa.

A petroleira explicou que o trecho danificado ainda não foi substituído, mas que a manutenção do nível de produção do campo pode ser viabilizada com a injeção de gás por outros poços.

Maior campo produtor do país, Lula extraiu 650,6 mil bopd e 14,6 milhões de m³ de gás/d em abril, altas de 1% e 16,6%, respectivamente, em relação ao mês anterior. Além disso, foram queimados, consumidos ou injetados no campo 13 milhões de m³ de gás/d no mesmo mês, queda de 17% na comparação com março.

Em conferência com analistas em maio, o diretor-executivo da Galp – sócia da Petrobras em Lula –, Thore Kristiansen, lembrou que um riser no campo de Sapinhoá, vizinho a Lula, também registrou uma falha em 2016 devido aos efeitos da corrosão.

Sem detalhes sobre o incidente em Lula, especialistas ouvidos pela Brasil Energia Petróleo acreditam que a falha no duto esteja relacionada aos altos níveis de gás carbônico (CO2) presentes nos reservatórios do pré-sal.

“Quando encontra água, o CO2 forma uma solução potencialmente corrosiva, o ácido carbônico (H2CO3), dependendo de fatores como pressão, temperatura e salinidade”, explica a especialista em corrosão por CO² e biocorrosão da PUC-Rio, Prof.ª Ivani Bott.

O coordenador do Laboratório de Ensaios Não-Destrutivos, Corrosão e Soldagem (LNDC), da Coppe/UFRJ, Oscar Rosa Mattos, ressalta que a concentração de CO2 nos reservatórios aumenta à medida que poço envelhece e se reinjeta mais gás.

“Com isso, alguns materiais que não vinham tendo problemas podem começar a apresentar falhas”, observa.

O FPSO Cidade de Angra dos Reis foi a plataforma a ser instalada no cluster do pré-sal, começando a produzir em outubro de 2010, em lâmina d’água de 2,5 mil m. O contrato para fornecimento de 100 km de linhas flexíveis de produção, elevação e injeção de gás para os campos de Lula e Sapinhoá (neste caso, para o FPSO Cidade de Ilhabela) foi anunciado em janeiro de 2014 pela TechnipFMC.

Projetados para suportar alta pressão interna, utilizando o cabo Teta – tecnologia desenvolvida na França para resistir a ambientes agressivos –, os risers de injeção de gás começaram a ser produzidos nas fábricas da TechnipFMC no Porto do Açu (RJ) e Vitória (ES) no primeiro trimestre de 2014. A engenharia e gerência do projeto ficaram a cargo da equipe do centro de pesquisas da companhia no Parque Tecnológico da UFRJ, no Rio de Janeiro.

Procurada, a multinacional francesa informou que os técnicos da empresa estão prestando todo o apoio necessário à Petrobras nas investigações sobre o problema.

Consulta

A Petrobras fez, recentemente, consultas ao mercado buscando informações sobre requisitos técnicos para serviços de reparo de capa externa de dutos submarinos com ROV e para a contratação de serviço de reparo submarino de dutos flexíveis usando tecnologia a de Filament Winding.

As consultas foram direcionadas a empresas de navegação que trabalham com embarcações especializadas, como RSVs. Entre os exemplos de armadores que operam barcos do tipo estão a Farstad, CBO, Sea Lion, DOF e Bram Offshore.

A Petrobras informou que as consultas não estão relacionadas ao problema ocorrido com o riser em Lula.