
A Petrobras está investindo para viabilizar produtos destinados a transportes de elevada complexidade para descarbonização. A empresa planeja comercializar bunker de navio com teor renovável acima de 10% entre 2023 e 2024 e está testando tecnologia de coprocessamento para produzir bioquerosene de aviação.
A empresa no final do ano passado realizou o primeiro abastecimento com bunker composto por 10% de conteúdo renovável a partir da embarcação Darcy Ribeiro, da subsidiária Transpetro. Agora já mira percentuais mais elevados, a fim de acompanhar o mercado mundial.
“Temos acompanhado a evolução da regulação mundial sobre uso de biodiesel e outros biocombustíveis no bunker, para andar pari passo com o mercado mundial”, afirmou o gerente executivo de Comercialização no Mercado Interno, Sandro Barreto, ao PetróleoHoje.
Recentemente em Cingapura, por exemplo, foi lançada a cotação do B24, um bunker com teor de 24% na sua composição a partir de produto renovável. “Isso é um marco na história, que traduz a importância dos testes que a Petrobras está fazendo para andar junto com o mercado mundial”, disse o executivo.
A International Maritime Organization (IMO), agência da ONU responsável pelas medidas de melhoria da segurança no transporte marítimo internacional e pela prevenção da poluição de navios, tem a meta de reduzir, entre 2008 e 2050, as emissões absolutas de gases do efeito estufa do setor em 50%.
Entre as principais medidas que podem ser adotadas para atingir esta meta está o uso de combustíveis marítimos com mistura de componentes renováveis, uma das soluções em desenvolvimento pela Petrobras. Barrreto defende a iniciativa mas pondera que precisa ser realizada com cuidado.
“O conteúdo energético e a regularidade de queima dos produtos de petróleo são muito importantes para você ter custo acessível no transporte a longa distância. É uma transição, você não vira a chave. Transição é feita com cuidado, para segurança das pessoas e para que os custos de todos os países fiquem equilibrados
Rotas de longa distância, conhecidas na área de descarbonização como hard-to-abate (difíceis para abater o carbono) ainda dependem e devem continuar requerendo por algum tempo motores a ciclodiesel, com forte presença de combustíveis fósseis, devido à necessidade de maior potência.
“O volume desses derivados é muito grande, então você teria que ter um volume de biocombustíveis muito grande para substituir bunker, querosene de aviação, e então entra-se na questão de segurança alimentar. Essa evolução não tem mágica”.
QAV renovável
A Petrobras também mira a indústria de aviação para oferecer produtos menos carbonizados. Uma das iniciativas é a produção querosene de aviação por mecanismo de coprocessamento, em fase de testes no seu centro de pesquisas.
“A gente espera ter novidades aí. Fizemos teste de biotecnologia … funcionou muito bem, foi extremamente positivo, e agora estamos olhando as opções para começar a produção”, afirmou Barreto.
A empresa planeja produzir QAV renovável também a partir de 2028 pela nova planta de Cubatão, especialmente destinada ao biorefino.
A nova planta será instalada na Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), com capacidade de produzir 6 mil bpd de BioQAV e 6 mil bpd de diesel 100% renovável a partir do processamento de até 790 mil toneladas/ano de matéria-prima renovável.
“A gente tem muito chão pela frente para chegar num combustível 100% renovável para avião (…) Não adianta forçar uma transição energética se o mercado não estiver pronto para arcar com o custo, por isso é uma transição”, disse.
A RPBC foi escolhida para abrigar a nova unidade em razão da proximidade com o mercado da região Sudeste e da maior integração com o parque do refino nacional. O projeto integra o Programa de BioRefino da companhia, um dos destaques de seu Plano Estratégico para o período de 2023-2027, que receberá investimentos de US$ 600 milhões para o desenvolvimento de uma nova geração de combustíveis sustentáveis, com menor pegada de carbono.
A Petrobras vai investir US$ 4,4 bilhões em projetos com foco na transição energética direcionados a iniciativas em baixo carbono, de acordo com o novo Plano da companhia.
Fonte: Revista Brasil Energia