
O Plano Estratégico da Petrobras para o período 2023-2027 ficou dentro do esperado, sem grandes novidades, mudanças de estratégia ou expressivo aumento de investimentos. Depois do aumento de 23,63% do ano passado, o Conselho de Administração da companhia aprovou, na quarta-feira (30), investimentos de US$ 78 bilhões para o próximo quinquênio, o que garantiu um incremento de 15%, em comparação com os US$ 68 bilhões estabelecidos no plano anterior, voltado ao período de 2022 a 2026.
O novo montante assegura o segundo ano consecutivo de aumento, após vários anos de corte nos investimentos da petroleira. O percentual de aumento é menor que o do último plano, ficando dentro da faixa antecipada pelo PetróleoHoje.
Embora percentualmente o aumento não tenha sido tão expressivo, ficando abaixo do estabelecido no plano 2022-2026 e aquém também da expectativa por conta do aquecimento do mercado fornecedor, a Petrobras reforça que os investimentos do PE 2023-2027 superam a média dos últimos seis planos, que foi de US$ 72 bilhões. O novo patamar, segundo a petroleira, retoma o porte de investimentos praticado antes do estouro da crise da pandemia.
Do montante de US$ 78 bilhões, US$ 64 bilhões serão destinados ao segmento de E&P, que ficará responsável por 83% dos recursos totais da companhia. A nova cifra assegurada à atividade representa um aumento de menos de 12%%, em relação aos US$ 57,3 bilhões estabelecidos no PE 2022-2026. No plano do ano passado, a área de E&P havia assegurado um aumento bem maior, de 23,37%
Pela primeira vez, a Petrobras optou por incluir também no PE o valor a ser alocado ao afretamento de novos FPSOs, que exigirá um aporte extra de US$ 20 bilhões, além do montante total de US$ 78 bilhões.
A exemplo dos planos anteriores, o pré-sal continuará sendo visto como prioridade máxima. Dos US$ 64 bilhões previstos para a área de E&P, quase US$ 43 bilhões (67%) serão alocados a ativos e projetos do pré-sal.
A área de E&P receberá US$ 13,3 bilhões ao longo de 2023, ante a cifra prevista no plano anterior de US$ 8,8 bilhões para 2022. O maior investimento anual do segmento de E&P será aportado nos anos de 2024 e 2025, quando serão desembolsados US$ 15,5 bilhões e US$ 15 bilhões, respectivamente.
Ao longo do próximo quinquênio, serão investidos US$ 58 bilhões na atividade de Desenvolvimento da Produção e US$ 6 bilhões no segmento de Exploração. No plano 2022-2026, a Petrobras projetava US$ 51,8 bilhões para o DP e US$ 5,5 bilhões para a Exploração.

Novos projetos de E&P
A carteira de projetos prevê a entrada em operação de 18 novos FPSOs até 2027. A lista contempla 11 unidades afretadas, seis próprias e uma não operada.
O aumento de investimento no segmento de Exploração está relacionado à programação de campanhas na Margem Equatorial. A região receberá cerca de 50% do investimento total da exploração.
No que diz respeito à premissa de resiliência da carteira de investimentos do E&P, foi mantido o cenário de preço do barril do petróleo de US$ 35, com baixo carbono. O compromisso de intensidade de carbono no portfólio de E&P é de até 15 kgCO2 e por barril de óleo equivalente até 2030.
A projeção é de atingir, em 2023, uma produção de 2,1 milhões de boed, com uma possibilidade de variação de 4% para mais ou para menos. A oscilação leva em conta os ajustes do Acordo de Coparticipação de Sépia e Atapu, que reduziram 0,1 milhão de boed em relação ao plano anterior.
Na comparação com o PE 2022-206, o plano atual prevê redução dos volumes de produção em 2024 e 205. A projeção é de uma redução de cerca de 0,1 milhão de bpd

O pré-sal irá responder por 78% da produção total da companhia no final de 2027.
Detalhamento e Petrobras Day
A exemplo do ano passado, a Petrobras optou por divulgar, inicialmente, apenas os indicadores principais do PE 2023-2027. O detalhamento do plano será apresentado a analistas na quinta-feira (1/12), pela manhã, durante o Petrobras Day, evento que será realizado remotamente.
O PE 2023-2026 é o primeiro e único da curta gestão de Caio Paes de Andrade no comando da Petrobras. Por conta da transição de governo é dado como certo que o plano será revisado em 2023 pela nova gestão da companhia, tendo vida curta em alguns itens.
Entre as premissas do plano está o foco em óleo e gás, sustentabilidade, segurança e respeito às pessoas e ao meio ambiente.A Petrobras reforça que mantém o propósito de prover energia que assegure prosperidade de forma ética, segura e competitiva.
Refino em alta
A área de Refino terá o segundo maior orçamento da petroleira, recebendo investimentos de US$ 7,8 bilhões. A cifra reservada pela petroleira garantirá um incremento de quase 28% em relação aos US$ 6,1 bilhões, previstos no PE 2022-2026, o que confere o maior aumento percentual do plano, conforme foi antecipado pelo PetróleoHoje.
Juntos, o capex do Refino e Gás Natural totalizarão um montante de US$ 9,2 bilhões. Cerca de 50% desse investimentoserá aplicado na expansão e aumento da qualidade e eficiência do parque da petroleira. O plano prevê aporte de recursos em oito novas unidades de processamento, além de seis obras de adequações de grande porte em unidades já existentes.
De acordo com a Petrobras, a conclusão dessas iniciativas permitirá o aumento da capacidade de processamento e conversão do seu parque de refino em 154 mil bpd. Também é prevista a ampliação da capacidade de produção de Diesel S-10 em mais de 300 mil bpd.
Para a área de Gás & Energia, será reservado o montante de US$ 1,6 bilhão, o que representa 2% do valor total a ser investido no quinquênio. A Petrobras reforça que dará continuidade a estratégia de comercialização do gás próprio, com ações comerciais em linha com os aumentos de capacidade, resultantes dos investimentos em expansão da infraestrutura e da oferta do combustível.
Mantendo a estratégia de gestão ativa do portfólio ativa, a Petrobras projeta que o processo de venda de ativos irá garantir aos cofres da empresa um montante entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões, ao longo do quinquênio. A premissa conflita com a diretriz já declarada do governo PT de não priorizar os desinvestimentos.
A Petrobras manteve também projeção de distribuição de dividendos para a União. A estimativa é de que possa ser pago um motante entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.
Outras áreas
Já na área de Comercialização e Logística, que também terá aporte de apenas 2% do valor total de investimentos, o plano é intensificar a atuação em mercados estratégicos no país, ampliando e fortalecendo, simultaneamente, a atividade no mercado externo. O objetivo é buscar novos clientes e melhores oportunidades de valorização de seu petróleo e produtos. Também é prevista a otimização de estoques, infraestrutura logística e redução dos índices de emissões da frota.
Cerca de 6% do investimento total, ou seja, US$ 4,4 bilhões, serão direcionados à área de sustentabilidade, com foco em projetos direcionados a iniciativas de baixo carbono. A maior parte desses recursos será destinada a projetos voltados a ações de descarbonização as operações, atividade que irá reter US$ 3,7 bilhões.
Entre as ambições para essa área está a neutralização das emissões (escopos 1 e 2) nas atividades operadas em 2050, buscando influenciar parceiros a perseguir o mesmo parâmetro nos ativos operados por eles. A lista de planos sinaliza ainda a redução das emissões absolutas operacionais totais em 30% até 2030, a intenção de atingir zero queima de rotina em flare até 2030 e a reinjeção de 80 milhões tCO2 até 2025 em projetos de CCUS.
No plano anterior, a Petrobras previa um montante total de US$ 2,8 bilhões para à área de sustentabilidade.
Fonte: Revista Brasil Energia