A Petrobras liberou ontem (24/11) duas licitações para o afretamento de sondas de perfuração para 2 mil m e 2,4 mil m, com entrega de propostas marcada para o dia 15 de dezembro e entrada em operação prevista para o segundo semestre de 2015. Como nos editais anteriores, a petroleira não revela o número de unidades a serem afretadas, informando apenas que será contratada uma ou mais.
Os editais das duas licitações foram liberados no Petronet, sistema digital de compras da Petrobras, a partir do modelo de cartas-convite. De acordo com as regras estabelecidas nos editais, a unidade de 2,4 mil m terá que estar disponível para operação até 1o de setembro, enquanto a de 2 mil m tem início de campanha programado para a partir de 1o de outubro.
A Petrobras mantém sigilo sobre a relação das empresas convidadas a participar do processo. Levantamento feito pela Brasil Energia Petróleo & Gás indica que entre as empresas convidadas estão companhias estrangeiras, como a Odfjell, Transocean, Ensco, Diamond, Seadrill e Maersk. Entre as brasileiras, estão a Odebrecht Óleo e Gás, Queiroz Gavão e a Petroserv. Como na última licitação, a Schahin, que atualmente opera duas sondas na área de Libra, não foi convidada, a aparentemente por não ter sonda disponível para ofertar.
A notícia da publicação do edital foi bem recebida pelo mercado, que já aguardava pela concorrência, mas diante dos escândalos da operação Lava-Jato temia pelo seu cancelamento. Com a oferta de sondas estando bem maior que a demanda das petroleiras, a expectativa é de que as duas licitações sejam bastante corridas, gerando um número expressivo de questionamentos por parte das empresas, o que pode vir acarretar adiamento na data de entrega das propostas para 2015.
Nos últimos anos, a Petrobras vinha concedendo pelo menos cerca de 45 dias de prazo para elaboração das propostas. Prazos menores chegaram a ser praticados entre os anos 90 e 2000, quando o mercado de perfuração estava em baixa, a exemplo do que ocorre neste momento.
Embora existam muitas sondas disponíveis no mercado sem contrato, algumas empresas de perfuração consideraram o prazo para entrada em operação curto. Executivos do setor alegam que há sondas, mas que a maior parte das unidades precisará passar por pequenas obras de adaptação para atender as especificações da Petrobras.
Pela primeira vez, a Petrobras descartou, no caso do processo da unidade de 2,4 mil m, o modelo de prorrogação por igual perãodo, optando por adotar a modelagem contratual de dois anos de afretamento, prorrogáveis por mais um a critério único e exclusivo dela a ser informado com até 180 dias de antecedência. Para a sonda de 2 mil m foi adotado o prazo de afretamento de três anos, com possibilidade de extensão por igual perãodo.
“A Petrobras está se beneficiando das condições de mercado para apertar as empresas de perfuração. O mercado está bom para as petroleiras e ruim para as prestadoras de serviço e é natural que a Petrobras use isso a seu favor”, avalia uma fonte do setor.
No mercado, especula-se que as sondas possam estar sendo afretadas para garantir a demanda normal e ainda cobrir eventuais atrasos na entrada em operação afretadas das primeiras sondas da Sete Brasil, cujo cronograma original prevê o início de campanha de duas unidades em 2015. A Petrobras não informa o destino das novas unidades a serem afretadas, mas especula-se que a sonda de 2,4 mil m deva vir a ser alocada exclusivamente às campanhas da cessão da cessão onerosa.
A sonda de 2,4 mil m terá que ser equipada com seis gavetas de BOP, enquanto para a de 2 mil m a exigência é de cinco gavetas.