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Clippings - 27/05/14

Petrobras mantém monopólio no gás e controla oferta

Única comercializadora de gás no país até o momento, sendo responsável por quase 100% da produção e por toda a importação e transporte interestadual de gás, sem contar a participação acionária na maior parte das distribuidoras de gás canalizado do país, a Petrobras está sendo acusada de ser responsável pela pouca oferta de gás para clientes industriais. Ao mesmo tempo, mantém sem aumento o preço do gás de cozinha (GLP) desde o início do governo do PT com o presidente Lula, em 2003.

Esse subsídio, apesar de não ter efeito tão letal sobre o caixa da companhia como os da gasolina e diesel, mostra como os preços da estatal estão bagunçando setores da economia. O impacto do subsídio do GLP nos últimos anos é calculado entre R$ 10 bilhões e R$ 15 bilhões pelo Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE) sendo que somente as importações custaram R$ 1,2 bilhão em 2013.

Ao contestar as reclamações da Associação Brasileira das Empresas Distribuidoras de Gás Canalizado (Abegás) e da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp) em seu blog na semana passada, a Petrobras afirma que está atendendo a 100% dos volumes, sejam aqueles previstos nos contratos de curto como de longo prazos. Faltou esclarecer que não são atendidos os pedidos para aumentar os volumes contratados, como pedem as distribuidoras do sul do país.

“A Petrobras não aceita negociar volumes adicionais, pelo menos não a preços competitivos capazes de suprir a demanda industrial brasileira”, afirma Augusto Salomon, presidente da Abegás. Ele explica que os preços não são competitivos por causa das importações de GNL, comprado no mercado spot internacional, e cujo preço influencia o “mix” que antes era composto pelos preços do gás nacional e o importado da Bolívia.

Salomon reclama que o GNL, cujo preço tem variado na faixa de US$ 12 a US$ 18 por milhão de BTU, tem encarecido o preço, levando a indústria a ficar no que o executivo considera “reboque do setor termelétrico”. No primeiro trimestre deste ano o preço médio do GNL ficou entre US$ 17 e US$ 17,40.

Para serem justas, as distribuidoras reunidas na Abegás vêm a estatal engessada devido à intensa utilização do insumo para geração de energia pelas termelétricas para evitar um desastre elétrico. A própria presidente da Petrobras, Graça Foster, listou entre os motivos que levaram a área de gás e energia a ter um resultado menor nesse trimestre o fato de a empresa não comprar GNL por meio de contratos de longo prazo.

Mas Salomon também vê falta de planejamento para expansão da malha de gasodutos brasileira para aumentar a oferta. São grandes as críticas do executivo ao recém lançado Plano Decenal de Expansão da Malha de Transporte Dutoviário (Pemat), feito pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) para o horizonte até 2022. “As distribuidoras estão investindo quase R$ 5,2 bilhões para construir 48 mil quilômetros de redes e o Pemat só traz 11 mil quilômetros de novos gasodutos, enquanto a demanda represada na região Sul do país é de 15,8 milhões de metros cúbicos de gás”, enumera o presidente da Abegás.

Ao criticar a falta de previsão de reforço na malha de gasodutos no planejamento da EPE, a Abegás faz coro a alguns críticos que vêm o governo brasileiro preguiçoso no planejamento quando se trata da seara da Petrobras, já que o hábito parece ser entregar os problemas para a estatal resolver. O que Salomon estranha é a inexistência de qualquer previsão de oferta do gás que será produzido no gigantesco campo de Libra (Petrobras, Shell, Total, Sinochem e CNPC), do qual a União terá direito a uma parcela. Libra foi leiloado no ano passado no regime de partilha de produção com o governo e o início da produção é esperada para 2020 a 2022, dentro da abrangência do Pemat.