Projeção para 2019 foi apresentada pelo presidente da estatal em evento no Rio de Janeiro
A Petrobras estima fechar os primeiros quatro meses deste ano com US$ 10 bilhões em desinvestimentos. A projeção foi apresentada, nesta sexta-feira (15/3), pelo presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, durante evento na FGV, no Rio de Janeiro. A expectativa é que, até o fim do ano, o montante arrecadado com a venda de ativos chegue a até US$ 40 bilhões.
Durante a apresentação, Castello Branco ressaltou que o objetivo de sua gestão é tornar a Petrobras cada vez mais produtiva e próxima do modelo de petroleiras privadas, enfatizando a necessidade de a companhia se concentrar nos ativos de E&P em águas profundas, sobretudo do pré-sal.
“Nosso objetivo, já que não podemos privatizar, pois não temos mandato para isso, é transformar a Petrobras o mais próximo possível de uma empresa privada que crie valor para os seus acionistas. E o principal acionista da Petrobras é a sociedade brasileira”, assinalou.

Castello Branco criticou o regime de partilha de produção. Na sua avaliação, o modelo não estimula a eficiência e exemplifica mais uma intervenção que resulta em baixa produtividade.
Com foco nos ativos de E&P, o presidente da Petrobras reforçou que uma das principais metas internas é aumentar a produção de petróleo e gás, perseguindo disciplina de capital e um rigoroso controle dos cronogramas de início de operação dos sistemas de produção. Ele lembrou que a Petrobras investirá US$ 20 bilhões ao longo dos próximos cinco anos em campanhas de revitalização da Bacia de Campos.
Uma das metas da nova gestão será criar uma cultura de baixo custo na companhia, desenhando-se um programa de remuneração variada com base na meritocracia. “Vamos premiar as melhores ideias (…) para as pessoas saberem que se tiverem uma boa performance serão premiadas, mas, se não tiverem, vão ser punidas ”, enfatizou o executivo.
Outra questão em foco é a venda das refinarias da Petrobras. Castello Branco classificou a atual concentração da companhia no mercado como um “absurdo”, uma “anomalia”.
“A Petrobras não quer ser monopolista de nada. (…) O monopólio é incompatível com uma sociedade livre e retira o direito de escolha do consumidor e é claramente algo que trabalha contra o crescimento da produtividade”, analisou.
Além do presidente da Petrobras, o painel contou com a participação do presidente da Shell, André Araújo, e do presidente da Brookfield, Luiz Simões Lopes. Os dois executivos reforçaram a aposta no crescimento do setor petróleo.
Fonte: Revista Brasil Energia