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Clippings - 17/05/23

Petrobras muda critérios mas segue com política de mercado e ações sobem


Edise visto a partir do BNDES, Rio de Janeiro (Foto: André Motta de Souza / Agência Petrobras)

Os novos critérios da Petrobras para precificar combustíveis agradou o mercado e especialistas do setor, para quem a companhia continua praticando política de mercado. A empresa anunciou nesta terça-feira sua nova estratégia comercial para o diesel e a gasolina, abandonando a paridade de importação (PPI) como base principal para os reajustes.

No comunicado, a Petrobras informa que passará a usar duas referências: o custo alternativo do cliente e o valor marginal para a Petrobras, com premissas que miram equilíbrio entre os mercados nacional e internacional. As ações da companhia subiam 3,5% às 15h40, algumas horas depois do anúncio.

A Petrobras levará em conta o contexto de concorrência em cada região e vai definir seu preço com base no custo de oportunidade do cliente. Ou seja, o preço da petroleira será aquele que consegue competir com outros fornecedores, analisa o especialista Edmar Almeida, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e pesquisador do IEPUC.

“Se for isto, isto significa que os preços vão sim refletir o preço internacional. Isto porque os concorrentes da Petrobras são importadores ou refinarias privadas que podem exportar”, afirma Almeida.

De fato, o presidente da companhia, Jean Paul Prates, afirmou que com essa estratégia comercial, a Petrobras continuará seguindo as referências de mercado, “sem abdicar das vantagens competitivas de ser uma empresa com grande capacidade de produção e estrutura de escoamento e transporte em todo o país”.

Almeida lembra que os concorrentes da Petrobras vão levar em conta os preços internacionais. Se o preço dos concorrentes importa, então indiretamente, a Petrobras levará em conta os preços internacionais.

“Acho que será uma abordagem positiva se a Petrobras for fiel ao que comunicou ao mercado… Isto é muito diferente de preços definidos pelo apenas pelo custo de produção, o que poderia desorganizar a cadeia de valor do setor de derivados e etanol no Brasil”, conclui o especialista.

O economista Frederico Nobre, líder da área de análise da gestora Warren, lembra que o PPI considerava não apenas o custo do produto refinado e a taxa de câmbio, mas também outras despesas como frete e tarifas portuárias, não necessariamente incorridas pela Petrobras.

Portanto, segundo ele, a empresa continuará olhando para as referências externas “da porta pra fora”, mas não mais “da porta pra dentro”. A ideia é que abdicando da obrigatoriedade de seguir a PPI, a Petrobras consiga ser mais competitiva em alguns mercados, sem ferir a rentabilidade da companhia.

“A Petrobras segue com uma política de mercado e entendemos que a reação deve ser positiva, uma vez que havia muita desconfiança pairando sobre esse anúncio”, avalia Nobre.

No comunicado, a Petrobras explica as duas referências de mercado. O custo alternativo do cliente como valor a ser priorizado na precificação, o “custo alternativo do cliente contempla as principais alternativas de suprimento, sejam fornecedores dos mesmos produtos ou de produtos substitutos”.

Já o valor marginal para a Petrobras será, segundo explica a própria companhia,  “baseado no custo de oportunidade dadas as diversas alternativas para a companhia dentre elas, produção, importação e exportação do referido produto e/ou dos petróleos utilizados no refino”.

Mas o especialista do CBIE, Pedro Rodrigues, chama atenção para a possibilidade de falta de transparência e interferência nos preços. Além disso, alerta para a questão da competitividade com etanol. “A artificialização do preço pode diminuir a competitividade de dois combustíveis limpos que são o etanol e o gás natural”, analisa o diretor executivo do CBIE.