A negociação de fornecimento de nafta pela Petrobrás para a Braskem já se tornou uma novela mexicana, daquelas com um enredo que parece estar próximo do fim, sem nunca estar. Nesta semana a estatal descumpriu um acordo fechado com a petroquímica e com o Ministério de Minas e Energia para assinatura de um novo contrato de longo prazo.
A Petrobrás tenta fechar um contrato com preço médio entre 102% e 103% da cotação ARA (Amsterdí, Roterdí e Antuérpia). O ministro Eduardo Braga chegou a anunciar um acordo de valor médio de 101%: 100% sobre os 3,5 milhões de toneladas da nafta produzidas no Brasil e 102% para os 3,5 milhões de toneladas importadas pela estatal e revendidas à Braskem.
O último contrato de longo prazo entre as empresas foi assinado em 2009 e terminou em 2014. A solução encontrada pelas partes foi a assinatura de aditivos para não parar o fornecimento. De lá para cá já foram cinco contratos desse tipo assinados.
A situação gerou certo constrangimento, já que o presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, se comprometeu com o governo federal para assinar o novo contrato até a última quarta-feira (16). Oficialmente a companhia diz estar negociando um novo acordo de longo prazo, em busca de “condições que sejam equilibradas e comutativas para ambas”.
Em entrevista no mês de novembro, o presidente da Abiquim, Fernando Figueiredo, traçou uma retrospectiva dos problemas de fornecimento de nafta. De acordo com ele, s problemas começaram com a decisão do governo federal de aumentar o etanol presente na gasolina, demandando mais nafta no processo de preparo da mistura. A Petrobrás passou então a importar mais nafta, buscando repassar os custos para a indústria petroquímica.