Petrobras pode dar lance em leilão de Libra
GOVERNO TEM INTERESSE EM AUMENTAR A PORCENTAGEM DA ESTATAL NO CAMPO, PARA EVITAR CRÍTICAS DE PRIVATIZAçãO
Estatal deposita garantias, o que lhe permite aumentar sua participação no pré-sal, cujo leilão é em 21 de outubro
DENISE LUNADO RIO
A Petrobras depositou garantias para ter o direito de fazer lances no primeiro leilão do pré-sal pelo sistema de partilha, apurou a Folha com o governo.
A estatal foi uma das nove empresas que depositaram garantias financeiras de R$ 156 milhões para fazer lances no leilão do campo de Libra, na bacia de Santos, que será vendido no dia 21.
A Petrobras já tem garantida participação de 30% no consórcio vencedor do leilão, segundo a lei que instituiu o regime de partilha no país.
O depósito indica que a estatal quer aumentar essa fatia, apurou a Folha.
Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura Adriano Pires, a tendência é que a Petrobras fique com entre 50% e 60% do campo de Libra, para sustentar o discurso do governo de que o petróleo ainda é nosso.
A tendência é que a Petrobras feche consórcio com empresas chinesas. A dúvida é se irá com Cnooc, CNPC, Repsol/Sinopec (consórcio que já atua no Brasil) ou com as três. Com o caixa apertado, a estatal brasileira teria sua parte coberta pelas capitalizadas empresas chinesas, e pagaria em petróleo.
Dessa maneira o governo consegue o caixa que precisa para fechar o ano e ainda rebate as acusações de privatizar o pré-sal, afirma Pires.
Onze empresas já haviam pago a taxa de participação no leilão, de R$ 2 milhões, porém apenas nove apresentaram garantias anteontem, último passo antes do leilão.
Segundo o diretor da ANP (Agência Nacional do Petróleo) Hélder Queiroz, a ausência do depósito por parte de duas empresas não quer dizer que elas desistiram da disputa. Ele espera a formação de dois a três consórcios –já o governo trabalha com uma margem de um a quatro.
Queiroz afirmou que as empresas que não depositaram garantias foram classificadas como operadoras classe B, que não possuem experiência em águas profundas.
Estão nessa categoria a portuguesa Petrogal, a hispano-chinesa Repsol/Sinopec, a colombiana Ecopetrol e a japonesa Mitsui.
O consórcio que vencer o leilão terá que depositar na conta do governo em novembro R$ 15 bilhões, referentes ao bônus de assinatura. Esses recursos ajudariam o governo a fechar o ano dentro da meta do superavit. Petroleiros e outros movimentos sindicais prometem uma batalha jurídica contra o leilão de Libra, cuja venda é considerada por eles uma traição por parte da presidente Dilma Rousseff.
Na campanha de 2010, ela prometeu não privatizar o pré-sal, argumentam, e agora cobram que cancele o leilão.
Fonte oficial: Folha de S. Paulo 09/10/2013