O governador do Rio de Janeiro, Luis Fernando Pezão, disse nesta quinta-feira (3/12) que a Petrobras precisa atrair sócios para aumentar a produção na Bacia de Campos. Segundo ele, o estado perde atualmente repasses de royalties correspondentes a 200 mil barris/dia que poderiam estar sendo produzidos pela estatal em campos já concedidos.
“Se não pode investir, faz um plano de negócios e abre para o setor privado participar e tirar essa riqueza. Essa indústria parada é mortal para o Brasil – imagina para o Rio”, assinalou, durante evento na sede da Firjan, no Rio de Janeiro.
A Petrobras produziu 1,44 milhão de barris/dia na Bacia de Campos em outubro. No ano, a produção média está em 1,49 milhão de barris/dia, abaixo da média de 1,55 milhão de barris/dia registrada no último ano. Até 2020, a petroleira tem apenas mais um sistema novo de produção entrando em operação na bacia.
A observação do governador é feita em um momento em que o estado sofre com um déficit bilionário em suas contas públicas, o que está diretamente relacionado à queda do preço do barril: somente este ano, o Rio de Janeiro deve perder R$ 12 bilhões que seriam arrecadados com royalties.
Agenda mínima
Uma das iniciativas em curso para recuperar as atividades é a agenda mínima apresentada por diversas entidades do setor ao governo federal propondo medidas como o fim da operação única da Petrobras no pré-sal. Pezão acredita que essas discussões não serão paralisadas devido ao processo de impeachment aceito ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. “É perfeitamente factível. É o momento de estar no Congresso discutindo a passagem para 2016, 2017 e 2018”, argumentou.
Há semanas está na pauta do Senado para votação o projeto do senador José Serra (PSDB/SP) que pretende acabar com a obrigatoriedade da operação única. “Estamos assessorando o Serra para provar matematicamente que o fim da operação única é mais vantajoso para o país”, disse o diretor de Petróleo da Abimaq, Alberto Machado.
Atratividade
Entre os participantes do painel de hoje, na Firjan, foi consenso de que o governo precisa adotar medidas para que o país não perca ainda mais atratividade. Hoje, o Brasil é considerado tão atrativo quanto a Nigéria, abaixo de países como a Colômbia e o México.
Questões como os processos de unitização e licenciamento ambiental no Brasil são fatores que geram atrasos nos projetos, afastando investidores. Além disso, há a preocupação com os custos do pré-sal, diante da baixa dos preços do petróleo. “Precisamos reduzir os custos para US$ 25 ou US$ 30 por barril”, observou o pesquisador Edmar da Costa, da UFRJ.
Demissões
Nos últimos dois anos, centenas de milhares de empregos diretos e indiretos no setor petróleo foram perdidos no Brasil. A Petrobras demitiu 5 mil funcionários e 69 mil terceirizados; nos estaleiros, foram 22 mil postos cortados em 2015; enquanto as associadas da Abemi demitiram mais de 160 mil profissionais nos dois anos.
Segundo o professor Ernani Torres, da UFRJ, a perspectiva para o curto e médio prazos não é animadora. “Só voltaremos a ter um nível de demanda semelhante ao que tivemos em 2014 em 2018”, justificou. Para amenizar a situação, uma das saídas seria reduzir e até parar de gerar multas de conteúdo local, que hoje estão na faixa dos R$ 10 bilhões.
O BNDES prevê que os investimentos no setor petróleo no Brasil chegarão a R$ 323 bilhões entre este ano e 2019, montante 30% inferior ao previsto para o perãodo 2014-2017.