
A Petrobras sugeriu um conteúdo local de 10% na construção do FPSO que será instalado no sistema Barracuda-Caratinga para estimular a construção dos módulos no Brasil, como afirmou o diretor de Exploração e Produção da empresa, Joelson Mendes. “Dez por cento porque a gente acha algo possível e desejável”, disse o executivo.O edital da licitação que está na rua não prevê sanção caso o vencedor da concorrência não contrate equipamentos no Brasil numa proporção menor do que 10%. No documento, a estatal informa que o FPSO e equipamentos devem ser importados se necessário. Acrescenta, no entanto, que os custos para trazer os bens do exterior ficarão a cargo da empresa contratada.Segundo Mendes, a Petrobras não estabeleceu uma exigência mínima de aquisição no mercado interno porque os contratos de Barracuda-Caratinga firmados com a ANP são da Rodada Zero, de 1998, quando ainda não havia sido instituída a política de conteúdo local na indústria de óleo e gás. “Então, não há como, por lei, exigir algo”, disse Mendes.A sugestão de aquisição 10% no mercado interno e a isenção de punições se o percentual não for atingido mobilizou o setor. A Federação Única dos Petroleiros (FUP), representante dos funcionários da Petrobras, divulgou nota pedindo o cancelamento do edital por isso.“Contratos devem ser firmados com base em regras de um conteúdo local que respeite a capacidade de encomendas à industrial local de construção naval”, afirmou o coordenador geral da entidade, Deyvid Bacelar.Além do afretamento do FPSO, a licitação para Barracuda-Caratinga ainda prevê que a empresa ou consórcio vencedor responderá pelo plano de descomissionamento da embarcação. Essa etapa do projeto tem sido apontada pela diretoria da Petrobras como uma oportunidade de contratação no Brasil. Mas, como também para essa fase não há exigência de aquisição local, também nela o serviço e a aquisição dos equipamentos podem ficar a cargo de fornecedores estrangeiros.O sistema de Barracuda-Caratinga é explotado pelos FPSOs P-43 e P-48, unidades que entraram em operação em 2004 e 2005, respectivamente. Os campos foram descobertos em 1989 e 1994 e estão em operação desde 1997.