A Petrobras pretende terceirizar a produção de campos onshore no Espírito Santo. A informação foi passada pelo próprio presidente da petroleira, Aldemir Bendine, de acordo com o governador capixaba Paulo Hartung (PMDB). Em terra, a Petrobras produz menos de 15 mil barris/dia de petróleo em mais de 50 campos.
Bendine e Hartung almoçaram juntos na quarta-feira (20/1) para tratar da presença da Petrobras no estado. O encontro foi o primeiro compromisso oficial de Bendine no Espírito Santo, após 11 meses na presidência da Petrobras.
De acordo com a assessoria do governador, Bendine informou que a Petrobras vai investir em projetos de produção em águas profundas no Espírito Santo, reduzindo, em paralelo, sua presença nos campos onshore, cuja operação pretende terceirizar. Bendine também informou o governador que as medidas serão anunciadas futuramente e, por isso, não há como fornecer detalhes.
Atualmente, a Petrobras é operadora de 47 campos onshore no Espírito Santo. No entanto, 13 áreas (28%) não têm registro de produção em 2015. Os 36 ativos restantes registraram uma média de 13,8 mil barris/dia de petróleo e 50 mil m³/dia de gás natural entre janeiro e novembro de 2015 – dado mais recente.
O campo de maior produção é Fazenda Alegre, que produz pouco mais de 4 mil barris/dia. Desde 2008, a operação da Petrobras em terras capixabas registra o mesmo patamar de produção.
Segundo produtor
Graças ao offshore, o Espírito Santo é o segundo maior produtor de petróleo do país, tendo registrado 386 mil barris/dia em 2015 até novembro. A segunda posição, contudo, vem sendo desafiada por São Paulo, que graças ao pré-sal, produziu, no mesmo perãodo, 248 mil barris/dia, em média (boa parte da produção do pré-sal, fica dentro dos limites do Rio de Janeiro.
Atualmente, há pelo menos dois projetos represados pela Petrobras no offshore capixaba, batizados de ES Águas Profundas e Sul Parque das Baleias. As unidades de produção chegaram a ser previstas no plano de negócios da Petrobras em 2014, mas foram excluídas em 2015.
Paulo Hartung também aproveitou o encontro para tratar da distribuição de gás no Espírito Santo. O interesse do governo é aumentar a oferta do energético, distribuído pela BR, subsidiária da Petrobras. Há também uma discussão quanto ao fim da concessão, adquirida pela BR na década de 1990, e relicitação da outorga.
Procurada, a Petrobras não comentou a estratégia apresentada por Bendine no Espírito Santo.