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Clippings - 03/03/23

Petrobras reavalia a venda de refinarias que ainda não fecharam negócio

Lubnor. Fonte: Juarez Cavalcanti / Banco de Imagens Petrobras

A Petrobras está revendo o desinvestimento de refinarias e ativos que foram colocados à venda pelo governo anterior, disse Jean Paul Prates na coletiva de imprensa realizada ontem (2), no Rio de Janeiro. Em dezembro, ainda durante as discussões do grupo de transição, o PetróleoHoje antecipou que a companhia suspenderia a venda de refinarias e congelaria o plano de desinvestimento.

Prates lembrou que como as negociações das refinarias Lubnor, no Ceará, e Clara Camarão, no RN, ainda não foram concluídas, as unidades continuam sob responsabilidade ambiental e operacional da petroleira. A venda da Lubnor está na mira do Cade, que no início de fevereiro reavaliou sua própria decisão, antes favorável ao negócio.

“A questão do Polo Potiguar (que inclui a Refinaria Clara Camarão) é um processo solicitado pelo governo federal de suspender – não é anular, não é interromper, não é desfazer contrato, é suspender. Isso vai nos dar oportunidade de rever alguns conceitos, não só em relação a essa venda como em relação a outras. A gente falou, a gente falou isso em campanha como grupo político lá atrás”, afirmou.

Uma série de empresas produtoras de asfalto e lubrificantes apresentaram ao Cade no final do ano passado recursos e estudos apontando potenciais problemas de desabastecimento e de alta de preços caso a operação seja concretizada. A venda seria realizada para o grupo Grepar.

“ A Lubnor tem outras travas, não é só Cade, é problema do terreno, parte do terreno é da Prefeitura – a gente estava vendendo um terreno que não é nosso (…) Então alguns ativos têm alguma pendência, algum tipo de processo que tem que ser resolvido. Outros correram prazos e os próprios compradores falharam em cumprir prazos. A gente vai organizar tudo isso, mas sob a ótica da nova gestão”, apontou Prates

O que já foi vendido como as refinarias de Mataripe, na Bahia, e a Refinaria de Manaus, não há interesse pela estatal, a não ser que procurem a Petrobras, disse o executivo.

Indagado sobre o fato de os preços da gasolina praticados em Manaus terem disparado após a privatização da refinaria, Prates afirmou que este é um problema de quem vendeu: o antigo governo é que vai ter que se explicar, “porque disseram ao povo que a venda ia baixar o preço da gasolina”.

“Esqueceram que o sistema de refinarias da Petrobras foi construído funcionava muito bem com elas trabalhando cooperativamente. Refino não é fábrica de sapato, não é hamburgueria, refino é diferente, naturalmente tende a certo domínio, ninguém coloca refinaria do lado da outra”.

Na Bahia, também houve problemas de abastecimento de bunker nos primeiros meses de operação, e alguns players relatam haver mais espaço para importação devido à privatização, afirmam que há dificuldades enfrentadas pela planta, o que o grupo Acelen negou.

“O que ocorre em Manaus e Bahia é um ajuste de duas refinarias que estão isoladas, que não têm quem as ajude, que têm que comprar petróleo importado, commodity internacional, não tem jeito”, disse, acrescentando que elas provavelmente não concluíram que seriam assim as condições de se assumir a operação de refino.

“Em Manaus tem ainda a situação de dominância. O terminal de chegada do produto e o refino ficaram na mão do mesmo grupo. Mas isso cabe às entidades de direito averiguarem, não cabe a mim”, concluiu.

A venda de oito refinarias fazia parte do plano de desinvestimentos da Petrobras e integra um acordo firmado com o Cade em 2019. A petroleira previa a alienação das refinarias Landulpho Alves (Rlam), Isaac Sabbá (Reman), Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), Abreu e Lima (Rnest), Gabriel Passos (Regap), Presidente Getúlio Vargas (Repar), Alberto Pasqualini (Refap) e a Unidade de Industrialização de Xisto (SIX).

A Petrobras concluiu integralmente a privatização de três dessas unidades. As últimas vendas concluídas anunciadas foram as da Reman e da SIX, em novembro. A primeira foi a Rlam (atual Refinaria de Mataripe), em novembro de 2021.

Fonte: Revista Brasil Energia