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Clippings - 27/03/20

Petrobras renegociará contratos

Petroleira aprova primeiras iniciativas para enfrentar crise provocada pela pandemia do novo coronavírus

A Petrobras anunciou, na quinta-feira (26/3), medidas restritivas para enfrentar a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus (Covid-19). Além de reduzir os investimentos programados para 2020, de US$ 12 bilhões para US$ 8,5 bilhões, e cortar sua produção anual em 100 mil bopd até março, a estatal convocará fornecedores para renegociar contratos.

Durante teleconferência realizada na quarta-feira (25/3), a diretora Financeira e de Relacionamento com Investidores, Andrea de Almeida, disse que a renegociação será voltada prioritariamente aos grandes fornecedores, seguindo estratégia adotada na crise de 2014/2015, quando contratos de afretamento de sondas e de FPSOs foram revistos, levando a alterações de valores e prazos.

O corte de US$ 3,5 bilhões nos investimentos será direcionado, principalmente, à postergação de campanhas exploratórias, de interligações de poços e construção de instalações de produção e refino.

O diretor de Desenvolvimento da Produção, Rudimar Lorenzatto, afirmou que a companhia está reavaliando a questão de procurement (suprimentos), sobretudo em relação à construção de plataformas na China.

Também foi aprovada a hibernação de plataformas em operação em campos de águas rasas do Rio Grande do Norte, Sergipe e Ceará, que têm custo de extração por barril mais elevado e produzem um volume total de 23 mil bopd. A petroleira não divulgou a relação das unidades de produção que serão paralisadas, mas ressaltou que, a princípio, a medida não afetará plataformas da Bacia de Campos.

O diretor de E&P, Carlos Alberto Oliveira, afirmou que ainda é cedo para mensurar se as medidas impactarão a curva de produção da petroleira, mas destacou que o corte nos investimentos não deve afetar significativamente os planos para o período pós-2021. O executivo observou que a Petrobras está monitorando o mercado diariamente e que não há definição sobre um novo corte em abril.

Refino

Durante a pandemia, serão postergados os serviços de paradas de manutenção em refinarias. Segundo a diretora de Refino & Gás Natural, Anelise Lara, o objetivo é diminuir a circulação de pessoas nas unidades, que operam com número reduzido de pessoal para evitar a disseminação do vírus. Por conta da queda do consumo, o parque de refino da Petrobras está operando com 74% de sua capacidade.

Desinvestimentos

De acordo com o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, as iniciativas aprovadas preparam a companhia para atravessar um cenário de preços de petróleo abaixo dos US$ 25 por barril.  “Estamos vivendo tempos sem precedentes”, declarou o executivo.

Apesar do cenário delicado, a Petrobras não pretende interromper, por ora, seu programa de desinvestimentos. A venda das oito refinarias teve a entrega de propostas adiada, mas, segundo Castello Branco, será mantida. “Se as ofertas forem menores que as nossas precificações, claro que não iremos em frente com o processo”, assegurou.

Opex

A Petrobras informou ainda que reduzirá seus custos operacionais, mirando economia da ordem de US$ 2 bilhões. O Conselho de Administração aprovou também a postergação do pagamento de dividendos no valor de R$ 1,7 bilhão, proposta que será submetida à aprovação da Assembleia Geral Ordinária (AGO) da companhia, agendada para 27 de março.

No que diz respeito à área de Recursos Humanos, foi determinada a postergação de 30% da remuneração mensal total dos executivos da alta administração – presidente, diretores e gerentes executivos –, além de gerentes gerais. Ficam adiados também os pagamentos de horas-extras e de gratificação de férias, assim como o recolhimento de FGTS.

Fonte: Revista Brasil Energia