
A Petrobras deve anunciar, ainda neste mês, a contratação de 12 navios de apoio marítimos. As embarcações fazem parte de um grupo de 38 que estão sendo adquiridos e “há grande perspectiva de eles serem construídos no Brasil”, afirmou o coordenador do Programa para Novos FPSOs da empresa, Lourenço Lustosa Fróes.
Em evento em que políticos, segmentos industriais e trabalhadores do setor cobraram a retomada de obras navais e empregos no país, ele falou também da perspectiva de aquisições locais para dois FPSOs em licitação. O encontro aconteceu no município fluminense de Niterói (RJ), onde funcionam os estaleiros Mauá e Inhaúma, para os quais, no passado, foram encomendados pela Petrobras navios-plataformas destinados ao pré-sal.
“Temos uma perspectiva interessante para o uso do Fundo de Marinha Mercante (FMM) em duas plataformas novas da Petrobras, com conteúdo local. Então, a perspectiva é de obra no Brasil. E mais duas que estão em processo de licitação, que têm previsão de obra no Brasil também”, afirmou Fróes, sem deixar claro, no entanto, se a intenção é construir as quatro unidades no Brasil ou apenas contratar internamente um volume maior de equipamentos para elas.
Durante o evento, partiu do diretor da Transpetro, Jonas Soares, uma defesa mais enfática da construção de embarcações da estatal no Brasil. A Petrobras e o governo federal não se pronunciam sobre a implementação de uma política de conteúdo local desde que o presidente Lula assumiu o cargo. Os posicionamentos dos executivos da Transpetro, porém, têm sido pelas aquisições locais, desde o ano passado.
A Transpetro chegou a anunciar o lançamento de um edital para a construção de 25 navios brasileiros, mas o planejamento estratégico da Petrobras prevê um número menor, de quatro petroleiros, sem mencionar preferência por estaleiros nacionais.
“Nós da Transpetro temos uma clara noção de que voltamos para o nosso rumo, do qual nunca deveríamos ter saído. A Transpetro, que tem muito orgulho de ser uma empresa estatal, tem como objetivo principal a criação de emprego e renda no Brasil”, disse Jonas Soares.
Lula e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, receberam recentemente um documento elaborado pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) com um balanço das condições operacionais dos estaleiros brasileiros e com propostas de retomada. De acordo com o coordenador geral da entidade, Deyvid Bacelar, o documento será analisado pelo ministro da Economia, Fernando Hadad.
Entre as propostas apresentadas ao presidente estão o fornecimento de crédito pelo BNDES, redução de impostos para a indústria local e a tributação do produto de concorrentes estrangeiros. “Se há necessidade de readequação dos estaleiros nacionais, que se faça. Mas não podemos aceitar que os empregos beneficiem os países asiáticos e não o Brasil”, disse Bacelar.
Fonte: Revista Brasil Energia