
O recuo atende ao pedido do grupo de transição de energia do futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva, contrário às privatizações, disse uma fonte ligada às negociações entre a empresa e o novo governo ao PetróleoHoje.
A venda de oito refinarias fazia parte do plano de desinvestimentos da Petrobras e integra um acordo firmado com o Cade em 2019. A petroleira previa a alienação das refinarias Landulpho Alves (Rlam), Isaac Sabbá (Reman), Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), Abreu e Lima (Rnest), Gabriel Passos (Regap), Presidente Getúlio Vargas (Repar), Alberto Pasqualini (Refap) e a Unidade de Industrialização de Xisto (SIX).
A Petrobras concluiu integralmente a privatização de três dessas unidades. As últimas vendas concluídas anunciadas foram as da Reman e da SIX, em novembro. A primeira foi a Rlam (atual Refinaria de Mataripe), em novembro de 2021.
Pelo menos quatro refinarias incluídas no plano de desinvestimentos ainda não têm contrato de compra e venda e, portanto, não deverão ser mais vendidas: a Rnest, em Pernambuco, a Repar, no Paraná, a Refap, no Rio Grande do Sul, e a Regap, em Minas Gerais.
Lubnor
Em maio deste ano, a Petrobras anunciou contrato de venda da Lubnor, mas uma busca na área de investidores em seu site não confirma a finalização da venda. Na ocasião, a estatal informou que a operação estava sujeita a ao cumprimento de “condições precedentes tais como a aprovação pelo Cade”.
Em junho, a Petrobras informou ao mercado que a Grepar, com quem celebrou o contrato, enviou notificação informando alteração em sua composição societária. Segundo a petroleira, Clovis Fernando Greca, sócio administrador da Grepar, afirmou que “a Grepar permanece coesa e fortalecida, comprometida em concluir a transação, e seguirá atuando para promover um ciclo de oportunidades e crescimento na Lubnor”.
O valor total da venda é de US$ 34 milhões – US$ 3,4 milhões pagos em maio, US$ 9,6 milhões a serem pagos no fechamento da transação e US$ 21 milhões em “pagamentos diferidos”.
Vendidas
No final de novembro a Petrobras finalizou a venda da Reman e seus ativos logísticos para a Ream Participações, dona da distribuidora Atem, por US$ 257,2 milhões. A transação estava tão avançada que não teria dado tempo de ser interrompida, sob pena de rompimento de contrato.
No começo do mês passado, a Petrobras anunciou que finalizou a venda da SIX, localizada em São Mateus do Sul (PR), para a Forbes Resources Brazil Holding. S.A. (F&M Brazil), sociedade detida pela Forbes & Manhattan Resources Inc. A operação foi concluída com o pagamento total de US$ 41,6 milhões para a Petrobras. O contrato prevê ainda pagamentos contingentes.
“A Petrobras continuará apoiando a F&M Brazil nas operações da SIX durante um período de até 15 meses, sob um acordo de prestação de serviços, evitando qualquer interrupção operacional” informou o comunicado de 2 de novembro.
O mesmo tipo de acordo de transição foi anunciado na venda da Rlam, por US$ 1,8 bilhão. Maior das refinarias colocadas no plano de desinvestimentos, a Rlam foi vendida ao fundo Mubadala, dos Emirados Árabes. A refinaria, localizada na Bahia, passou a se chamar Mataripe. Apesar do acordo de transição, a refinaria sofreu alguns problemas de produção, como o desabastecimento de bunker para navios e paradas nas operações de diesel.
Mudança de planos
Em junho, a petroleira anunciou o reinício dos processos de venda da Rnest, Repar e Refap. Mas mudou de ideia agora com o pedido do governo eleito.
Recentemente a companhia informou a desistência de vender a Regap por falta de apetite dos investidores.
Procurada na noite desta quarta-feira, a Petrobras não se manifestou até o fechamento da reportagem.
Fonte: Revista Brasil Energia