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Clippings - 25/05/10

Petrobras vai duplicar polo do Rio

A crise financeira internacional e o aumento do consumo de alguns combustíveis no país, como óleo diesel e querosene de aviação, obrigaram a Petrobras a mudar significativamente o projeto do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em construção em Itaboraí, no Estado do Rio. O diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, informou ao GLOBO que a diretoria da companhia aprovou a duplicação do Comperj que, agora terá duas e não apenas uma refinaria e, produzirá, além de matérias-primas para a indústria de plásticos, combustíveis. Sua capacidade passará de 150 mil barris diários de petróleo pesado para 330 mil barris diários.

– Com a revisão dos mercados internos e externos, resolvemos duplicar o Comperj, que, agora, além dos petroquímicos, vai produzir também óleo diesel e QAV (Querosene de Aviação) — destacou o diretor.

Custo deve subir para US$ 20 bilhões

Com a duplicação, o Comperj, que já era o maior projeto industrial em curso das últimas décadas, ficou ainda maior O diretor não quis adiantar o valor dos investimentos necessários para o novo formato do complexo — que inicialmente previa gastos de US$ 8,5 bilhões. Fontes do mercado estimam investimentos na casa dos US$ 20 bilhões. Com a ampliação, o projeto, originalmente previsto para entrar em operação em 2012, só começará a funcionar em 2013.

O diretor explicou que a Petrobras constatou que houve um forte aumento de oferta de petroquímicos no mercado internacional com a entrada em operação de alguns projetos, principalmente no mercado asiático e no Oriente Médio — como na China e na Arábia Saudita. Isso ocorreu num momento de retração na economia mundial. Simultaneamente, a Petrobras verificou forte crescimento na demanda doméstica por óleo diesel e QAV.

A companhia decidiu construir, em vez de uma, duas refinarias — cada uma com capacidade para processar 165 mil barris diários de petróleo pesado. E, em vez de só produzir as matérias-primas para o setor petroquímico, vai produzir diesel e QAV. A quantidade dos petroquímicos será a mesma do projeto original. Serão produzidos 2,15 milhões de metros cúbicos por ano de QAV e 9,36 milhões de metros cúbicos por ano de diesel.

Segundo o diretor, a primeira refinaria entrará em operação em fins de 2013, um ano mais tarde em relação ao prazo anterior do projeto. Essa primeira refinaria vai fornecer os combustíveis. Somente em fins de 2015 é que começarão a ser produzidas as matérias-primas petroquímicas. Já a segunda refinaria entrará em operação a partir de fins de 2017.

— Todo petróleo a ser processado será petróleo pesado, o volume de petroquímicos será o mesmo, além de um acréscimo de novos produtos de maior valor agregado — adiantou. — Em 2006, quando planejamos o Comperj, não tinha crise, não tinha ampliação mundial da oferta petroquímica, não tinha o forte aumento do consumo interno de diesel e QAV. Por isso, reavaliamos o projeto.

O início da oferta de produtos petroquímicos para a indústria de plástico foi atrasada em dois anos, de fins de 2013 para fins de 2015 — o que, segundo o diretor, não provocará falta de insumos no mercado brasileiro nos próximos anos. Já a partir deste mês, disse Costa, a Petrobras ampliou a oferta para as petroquímicas do pólo em São Paulo (hoje Braskem) de um gás leve de refinaria, que permite aumentar a produção de petroquímicos em mais 200 mil toneladas anuais.

Como no projeto original, as duas refinarias serão 100% da Petrobras. A estatal busca sócios privados para as unidades de segunda geração. Segundo Costa, o novo projeto foi apresentado à Braskem, seu sócio no setor petroquímico. A empresa tem 120 dias para se pronunciar.

TCU viu indícios de irregularidade

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) tem sido motivo de polêmicas desde que foi anunciado pela Petrobras cinco anos atrás. Primeiro, houve brigas políticas sobre qual município receberia o empreendimento. Mais tarde, contestações do Tribunal de Contas da União (TCU) por indícios de irregularidades. Ainda assim, as obras têm servido de palanque a políticos.

O TCU apontou em agosto de 2009 indícios de superfaturamento de R$ 23,2 milhões em um contrato da Petrobras com o Consórcio Terraplanagem Comperj (CTC), responsável pelas obras de terraplanagem. A Petrobras negou. Mesmo assim, o presidente Lula vetou, ao sancionar o Orçamento de 2010, a determinação do Congresso de suspender as obras, liberando verbas para o Comperj.

Pelo cronograma inicial, as obras estão atrasadas em dois anos. Mesmo assim. Lula inaugurou três vezes o projeto em quatro anos: lançou a pedra fundamental (em 2006), foi ao início das obras de terraplanagem (março de 2008) e voltou com Dilma Rousseff, pré-candidata do PT, em março deste ano.