unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 03/03/16

Petrobras venderá campos terrestres

A Petrobras confirmou nesta quarta-feira (2/3) os planos de vender campos em terra, junto com os ativos relacionados às áreas. Atualmente, a empresa opera uma produção de 150 mil barris/dia de petróleo em terra, infraestrutura espalhada por sete estados, do Espírito Santo ao Amazonas, em mais de 200 campos, em sua maioria, em declínio de produção.

Em comunicado, a Petrobras não detalhou o plano, limitando-se a anunciar que serão vendidos os direitos de “um conjunto de campos terrestres”, por meio de “processo competitivo”. A empresa também afirma que o início do processo de venda foi aprovado pela diretoria, mas não informa quando pretende conclui-lo.

Embora tenha acumulado um grande número de ativos em terra, 209 campos no total, em 2015, foram necessários somente 31 ativos para produzir mais de 120 mil barris/dia, cerca de 80% do total. Quanto ao restante dos campos, há mais 66 que produziram entre mil e 100 barris/dia, 87 campos com menos de 100 barris/dia e 22 nem sequer produziram.

Estratégia de venda

No setor, existe uma expectativa para que os maiores campos encabecem cluster de ativos a serem vendidos. A estratégia faz sentido pois cada bacia tem o seu representante no topo da lista de maiores campos produtores – a exceção é Alagoas, cujo maior campo é Pilar, com 1,5 mil barris/dia.

Para se ter uma ideia, os dez maiores campos da Petrobras em terra produzem quase 90 mil barris, ou 60% do total. Neste grupo, a Bacia Potiguar tem o maior do país, Canto do Amaro (17 mil barris/dia), Estreito e Alto do Rodrigues, que somados, produzem 30 mil barris/dia.

Produtividade das bacias

A principal província terrestre da Petrobras é a Bacia Potiguar, no Rio Grande do Norte e no Ceará (dois campos) com uma produção de 50 mil barris/dia em mais de 65 campos. Isso significa, contudo, que a produtividade das áreas é baixa, cerca de 800 barris/dia por campo, mesmo sendo a terceira maior.

Para se ter uma ideia da diferença na escala dos projetos da Petrobras, dois poços em Lula, o pré-sal da Bacia de Santos, chegam a produzir até mais que todos os 4,3 mil poços da Bacia Potiguar, com uma vazão média de menos de 12 barris/dia.

Na Bahia, o forte é o Recôncavo, mas também há áreas quase inativas em Tucano Sul e operadores, que não a Petrobras, em Camamu. No estado, a Petrobras produz 35 mil barris/dia, em 73 campos, uma média de 490 barris/dia por campo que demanda muita estrutura pois a malha de drenagem 1,5 mil poços, produzindo em média cerca de 23 barris/dia. O maior produtor baiano é Araças, com 6 mil barris/dia.

Em Sergipe, por sua vez, está o segundo maior campo do país, o quinquagenário Carmópolis, que produz 15 mil barris/dia, mais da metade de todo o resultado da bacia (24 mil barris/dia) em 11 campos. A produtividade, contudo, não é alta, porque nas áreas há mais de 1,7 mil poços, uma média de 14 barris/dia em cada um, menos que no Recôncavo.

Nessa realidade da produção em terra, a Bacia do Solimões é o ponto fora da curva. São apenas sete campos, com sistemas que variam em torno de 60 poços produzindo mais de 25 mil barris/dia ou 400 barris/dia por poço. Leste do Urucu e Rio Urucu produzem, juntos 23 mil barris/dia.

Contudo, o que poderia ser fácil, na verdade é uma operação no meio da Amazônia, com óleo sendo escoado por barcaça nos rios da região, além da infraestrutura para tratar e movimentar os mais de 5 milhões de m³/dia de gás natural, por gasoduto, do polo Urucu até Manaus.

A Petrobras também produz no Espírito Santo, onde o presidente da companhia, Aldemir Bendine, chegou a anunciar ao governo local que a ideia é terceirizar a operação de áreas que não estão recebendo investimentos.

A petroleira não detalhou os planos, mas uma alternativa para este modelo é remunerar o fornecedor que assume a operação conforme há incremento de produção e de quebra agrada os governos, com aumento da arrecadação de royalties e no nível de atividade.