
Os produtores de petróleo e gás deverão investir, inicialmente, US$ 600 bilhões para reduzir 50% da intensidade das emissões de gases de efeito estufa (GEE) de suas operações até 2030, prevê a Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) em relatório especial sobre a indústria de O&G e a COP28. O valor representa 15% do lucro líquido que a indústria do petróleo arrecadou em 2022.
A IEA baseou o relatório no cenário Net Zero Emissions (NZE), o qual mostra uma forma de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5ºC, além de alcançar o acesso universal à “energia moderna” até 2030.
No relatório, a IEA destaca alguns fatores importantes para conseguir diminuir as intensidades de emissões, como a redução das emissões de metano, eliminação de queima de gás não emergenciais e a eletrificação das instalações de upstream.
Para o primeiro ponto, a agência estima que a indústria de óleo e gás responde pela emissão de 2,4 bilhões CO2-eq de metano, podendo reduzir, a partir do cenário NZE, 75% das projeções do gás até 2030. A perspectiva é de um investimento de US$ 75 bilhões para atingir essa redução. Além disso, implantar as medidas para combater essas emissões são mais baratas que o valor de mercado do metano, o qual é capturado e pode ser vendido. Algumas dessas medidas são campanhas de detecção e reparação de vazamentos, instalação de dispositivos de controle de emissões e substituição de componentes que emitem metano por design.
Já na queima de gás natural não emergencial é eliminada globalmente até 2030, com uma redução de 95% nos volumes queimados. Os investimentos necessários para reduzir a queima são o montante de US$ 70 bilhões. Para a agência, a medida com melhor custo benefício é levar o gás ao mercado, a partir de novas conexões de gasodutos às redes de transporte ou distribuição, terminais de GNV ou GNL. Segundo suas estimativas, é possível evitar, sem custo líquido nenhum, dois terços dos volumes queimados, já que o valor capturado do metano (cenário NZE) cobriria os valores necessários para as medidas de redução.
Em relação à eletrificação, o uso de equipamentos mais eficientes, como substituir uma turbina a gás de ciclo aberto por uma de ciclo combinado, salvará cerca de 30% da energia utilizada nas instalações de upstream. Com a eletrificação, as emissões, a partir do uso de energia na produção, serão reduzidas em 270 Mt CO2 até 2030, com um custo de US$ 260 bilhões, dos quais 10% são para conexões de rede, 35% para compra de eletricidade da rede e 50% para o desenvolvimento de sistemas híbridos descentralizados, sistemas solares fotovoltaicos, eólicos e de armazenamento de bateria.
“Para aumentar a confiança do público nas ações que estão sendo tomadas, é necessária uma abordagem consistente para monitorar, relatar e verificar as emissões das atividades de petróleo e gás. Isso deve ser baseado em medições robustas para melhorar a precisão, a disponibilidade e a transparência dos dados de emissões”, completou a IEA na análise.
Fonte: Revista Brasil Energia