Petroleiros entram em greve a partir desta quinta-feira, em protesto contra leilão de Libra
Categoria também é contra lei que amplia possibilidade de terceirização de trabalhadores
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Nice de Paula
Petroleiros de todo o país decidiram nesta quarta-feira, em assembleias, cruzar os braços a partir da zero hora desta quinta-feira, em protesto contra o leilão da área de Libra, que ocorrerá na próxima segunda-feira, e o projeto de lei que amplia a possibilidade de terceirização de trabalhadores. Para proteger o evento das manifestações, que vêm se intensificando nos últimos dias, o governo mandará a Força Nacional de Segurança à Barra da Tijuca, local do leilão. Também deverá haver presença de integrantes do Exército. A presidente Dilma Rousseff não deve comparecer.
Os sindicatos filiados à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP) pretendem parar por 24 horas, e os ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) aprovaram a greve por tempo indeterminado. Segundo a FUP, a greve vai atingir refinarias, terminais de distribuição, plataformas de petróleo, campos terrestres de produção, usinas de biodiesel, termoelétricas e unidades administrativas da Petrobras, Transpetro e demais subsidiárias. Apenas na Lubnor, no Ceará, os trabalhadores ainda farão uma assembleia na manhí desta quinta para decidir de aderem à greve.
– Nas áreas operacionais é mais fácil haver a greve por tempo indeterminado. Mas nos setores administrativos é diferente. Paralisações são mais prováveis – disse Edison Munhoz Filho, vice-presidente da FUP
Os petroleiros também vão participar, junto com trabalhadores de outras categorias e representantes de movimentos sociais, de uma passeata contra o leilão da área de Libra. A manifestação está marcada para esta quinta, às 17h, na Candelária, no Centro do Rio, de onde seguirá em direção à Cinelândia.
Os líderes do Comitê Nacional de Defesa do Petróleo e Cidadania, criado para impedir o leilão das áreas do pré-sal, também apresentaram várias ações judiciais com o objetivo de evitar a realização do evento na segunda-feira.
– Um dos principais argumentos é que a nova lei diz que áreas estratégicas devem ficar com a Petrobras. E área estratégica é aquela de baixo risco e alta produtividade. Logo, Libra é uma área estratégica porque tem risco zero. O petróleo já está descoberto e é o maior campo do mundo – diz Fernando Siqueira, vice-presidente do Clube de Engenharia e da Associação de Engenheiros da Petrobras.
A Agência Nacional de Petróleo (ANP), que é alvo da maioria das ações judiciais, informou que haverá plantão nos estados e também na sede para entrar com recursos contra possíveis decisões contrárias ao leilão.
A Petrobras não quis comentar a decisão dos trabalhadores de entrar em greve.