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Clippings - 16/12/14

Petróleo em queda afeta óleo dos EUA antes do pré-sal

Uma possível manutenção da trajetória de queda dos preços do barril do petróleo, que desceu para a casa dos US$ 61 (tipo brent), tornaria os chamados shale oil & gas norte-americanos inviáveis antes que o pré-sal brasileiro pudesse ser impactado. É o que diz o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca. Ele explica que as principais produtoras no pré-sal do Brasil, a Petro-bras e a britânica BG, já indicaram que o custo médio do barril extraído nesta camada é de cerca de R$ 45. “Com a experiência que temos hoje, o pré-sal ainda se sustenta até nesse nível de US$ 45″, disse Luca, em evento no Rio. Luca destacou que a produção não convencional dos EUA, a partir do fraturamento hidráulico, exige dispêndio de US$ 60 a US$ 80 por barril, dependendo das reservas e das atividades empresariais. “São custos muito mais altos do que os do pré-sal”, frisou.

‘Shale’ dos EUA pode ser afetado antes do pré-sal

Para o IBP, caso se mantenha a queda dos preços do combustível fóssil, o impacto será maior para a produção não convencional norte-americana, de custo maior.

Commodities

Uma possível manutenção da trajetória de queda dos preços do barril do petróleo tornaria os chamados “shale oil & gas” norte-americanos inviáveis antes que o pré-sal brasileiro pudesse ser impactado, na avaliação do presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), João Carlos de Luca.

Segundo ele, as principais produtoras no pré-sal do Brasil, a Petrobras e a britânica BG, já deram indicativos de que as profundas áreas abaixo da camada de sal em produção no País, que já representam mais de 25% da extração de óleo nacional, têm um custo médio de US$ 45 por barril.

“Com a experiência que temos hoje, o pré-sal ainda se sustenta até nesse nível de US$ 45″, disse Luca, ao participar de evento sobre a economia brasileira, no Rio de Janeiro.

Parte da derrocada do petróleo, que perdeu quase metade de seu valor desde as máximas do ano, deve-se à produção adicional dos Estados Unidos. “No mundo, shale oil, shale gas, tudo isso fica inviável antes de inviabilizar o pré-sal”, acrescentou o presidente do IBP

Luca destacou que a produção não convencional dos EUA, a partir do fraturamento hidráulico, tem custos de US$ 60 a US$ 80 por barril, podendo variar dependendo das reservas e das atividades empresariais. “São custos muito mais altos do que o do pré-sal”, frisou.

Entretanto, grande parte da produção brasileira ainda não é oriunda do pré-sal, com algumas áreas mais antigas registrando custos mais altos. Quando questionado sobre projetos já em produção há algum tempo, fora do pré-sal, Luca ponderou que os campos mais maduros, com custos mais altos, demandam cuidados extras, mas afirmou que a maioria dos projetos brasileiros pode continuar a produzir.

“Campos que são mais antigos, que produzem muita água e pouco óleo”, são os que eventualmente podem sofrer mais com cenários complicados, segundo Luca, que destacou que há campos no Brasil que produzem mais de 90% de água.

Ele também não vê dificuldades para o Brasil atrair petroleiras de todo o mundo para a 13a rodada de licitações de

blocos exploratórios de petróleo, da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), prevista para ocorrer até junho de 2015, mesmo diante de um cenário de preços baixos.

“As empresas não gostam de perder oportunidades quando oferecidas”, afirmou, ressaltando, no entanto, que para isso o Brasil precisa ofertar áreas com qualidade e também sinalizar que está resolvendo problemas atuais da indústria.

Uma das defesas do IBP é uma maior previsibilidade de leilões no longo prazo. No entanto, o apetite das petroleiras poderá ser menor no leilão, na avaliação de Luca, devido ao cenário macroeconômico internacional que está demandando redução de investimentos por parte do setor de petróleo em todo o mundo.

No caso da Petrobras, que além de sofrer com o cenário macroeconômico ainda passa por uma das maiores crises de sua história, envolvida em diversas denúncias de corrupção, os ajustes nos investimentos também poderão vir.

Preços voltam aos níveis da crise

Os preços do minério de ferro, do petróleo e do carvão voltaram aos níveis vistos pela última vez durante ou antes da crise financeira de 2008/2009, sinalizando não só o impacto de uma oferta abundante, mas também uma acentuada fraqueza em partes da economia global, disseram analistas. As matérias-primas estão entre as mais sensíveis à saúde econômica, uma vez que o petróleo e o carvão são as duas mais importantes fontes de energia no mundo, enquanto o minério de ferro é usado para a fabricação de aço.

O preço do petróleo Brentcaiu quase pela metade desde junho, operando um pouco acima de US$ 60 o barril, nível visto pela última vez no início de 2009, durante a crise financeira. No mercado de carvão, o contrato futuro de referência europeu caiu para menos de US$ 70 por tonelada, nível comparável antes do boom e do colapso de 2007-2009. O minério de ferro cai pela metade, a menos de US$ 69 por tonelada, com a redução do crescimento da demanda do maior mercado do mundo, a China.

Analistas inicialmente apontaram para o aumento da produção de petróleo e da mineração, bem como a eficiência energética e fontes alternativas, como as energias renováveis, como os principais fatores por trás da queda. Mas, sem um fim à vista para a queda dos preços, tornou-se evidente que um resfriamento significativo das economias emergentes, bem como problemas em mercados desenvolvidos, como Europa e Japão, também fazem parte do jogo, especialmente depois de a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) informar que não iria cortara produção para sustentar os preços.

“Uma demanda global mais suave e o crescimento sem precedentes da oferta estão pesando sobre os índices mundiais de petróleo, com os preços caindo para níveis não vistos desde a crise financeira global”, informou ontem o National Austrália Bank. “Ventos contrários ao crescimento global devem vir da fraqueza do Japão, da zona do euro e da América Latina”, acrescentou.

O Morgan Stanley também apontou a China como uma explicação para a queda dos preços: “Nossa equipe econômica reduziu as estimativas decrescimento chinêseglobal. Isso também nos levou a reduzir nossa perspectiva de demanda”, informou o banco.

Produção

Enquanto a queda nos mercados de petróleo é relativamente recente – com o aumento da produção do petróleo da América do Norte ajudando a oferta a superar a demanda em momento de crescimento opaco da economia global os preços do carvão e minério de ferro estão em tendência decrescente desde 2011.