A petrolífera francesa Total manifestou grande interesse em investir na exploração e produção de petróleo e gás na área do pré-sal brasileiro. Investir no pré-sal é o meu maior sonho, disse Christophe de Margerie, presidente da Total. Em entrevista durante a Conferência Mundial de Gás em Buenos Aires, na Argentina, ele ponderou, no entanto, que para cumprir seu sonho, vai ter que provar à Petrobrás que tem muito para oferecer ao projeto pré-sal.
Ele não criticou o marco regulatório do pré-sal definido pelo governo brasileiro, mas fez algumas ponderações. Temos que discutir isso (a realização do sonho) com a Petrobras, porque com a nova regra sobre a área descoberta do pré-sal, a Petrobras será a operadora, o que significa que precisamos discutir com eles. Nessa discussão, continuou, precisamos ter acesso à situação para ver o tamanho das reservas e o quanto precisaremos pagar à União, e depois vamos conversar com o Governo.
Margerie opinou que a exploração e produção do pré-sal é um exemplo de que trabalhar junto será melhor do que sozinho, como estamos fazendo com Shtokman e Yamal (campos na Rússia). O executivo insistiu em que será preciso mostrar à Petrobras que a Total está trazendo alguma coisa para o negócio.
PROCESSAMENTO. No Brasil, a Refinaria Henrique Lage (Revap), Unidade de Negócios da Petrobras localizada em São José dos Campos (SP), começou a processar a sua primeira carga de petróleo extraída da camada pré-sal da área de Tupi, na Bacia de Santos. Em comunicado, a estatal diz que foram recebidos 42 mil metros cúbicos (264 mil barris) de petróleo que serão processados em duas campanhas.
O petróleo de Tupi é classificado como parafínico e de acordo com o fator de caracterização do Bureau of Mine, com grau API de 29,2, equivalente a uma densidade de 0,877. Quanto ao teor de enxofre, este petróleo é classificado como de baixo teor – quanto menor, mais fácil o atendimento às especificações futuras, cada vez mais rígidas para todos os derivados e principalmente nafta e diesel, diz a Petrobras. Além disso, o petróleo do Campo de Tupi não gera óleo combustível, que é o produto de menor valor agregado.
O reservatório de Tupi está a mais de 3 mil metros sob o fundo do mar, abaixo de 2 mil metros de sal, em águas onde a profundidade é de 2.140 metros e a uma distância de 300 km do litoral paulista. Os volumes recuperáveis da área de Tupi estão estimados entre 5 e 8 bilhões de barris de petróleo do tipo alta qualidade, ou seja, petróleo leve, além de gás natural.