A primeira unidade flutuante de liquefação de gás natural (FLNG) do mundo a entrar em operação, batizada de SATU, recebeu nesta semana sua primeira carga de gás em fase de testes, do campo de Kanowit, na Malásia. A etapa marcou o início do comissionamento da unidade, de acordo com a Petronas, estatal do país do Sudeste Asiático.
Projetado para operar por pelo menos 20 anos, o FLNG tem capacidade para processar 1,2 milhão de t/ano de GNL. A ideia é que a SATU tenha flexibilidade para mudar de posição e buscar o melhor acesso aos campos marginais de gás natural da Malásia – a plataforma opera em lâmina d´água de até 200 metros.
A construção e a instalação do FLNG levaram pouco mais de três anos. A plataforma, com 22 módulos no topside, utiliza um sistema de risers flexíveis para conexão com poços.
Mercado em crescimento
A Douglas-Westwood (DW) estima que o mercado de FLNGs receberá US$ 41,6 bilhões em investimentos entre 2017 e 2022, sendo 60% desse valor destinado a projetos de liquefação e 40% para terminais de regaseificação e importação. A expectativa é que 2017 seja o ano com os maiores investimentos, já que diversos FLNGs programados entrarão em operação.
Além da Petronas, a Shell está desenvolvendo o projeto FLNG Prelude, unidade que irá operar na Bacia de Browse, na Austrália, a partir do início de 2017. Em 2015, a Perenco e a Société Nationale des Hydrocarbures assinaram um contrato com a Golar e com a Gazporm para instalar uma plataforma de liquefação de gás natural na costa de Kribi, em Camarões.
No Brasil não há nenhum projeto firme de liquefação offshore em curso, por mais que a alternativa seja estudada em alguns casos. Atualmente, os principais sistemas produtores de gás são ou serão atendidos por gasodutos, incluindo os campos operados pela Petrobras no pré-sal da Bacia de Santos, que, por sinal, injetam grandes volumes de gás como estratégia de recuperação secundária de óleo.
Tipicamente, um FLNG justifica-se para um grande projeto produtor de gás ou, como no caso da Malásia, pela flexibilidade de produzir em diferentes campos. No Brasil, há projetos isolados, como Pão de Açúcar e Carcará, operados pela Statoil, que tem gás associado mas, até o momento, o foco é delimitar e produzir a partir de reservatórios de óleo.