
A PetroRio iniciou a perfuração, no primeiro trimestre deste ano, de um poço no campo de Polvo, em reservatório de idade geológica do Eoceno. O poço deve ser colocado em produção no segundo trimestre, segundo a apresentação de resultados da companhia.
Em conferência com investidores nesta terça-feira (4/5), o CEO da PetroRio, Roberto Monteiro, estimou que o poço deva produzir entre 2 e 3 mil barris/dia. Segundo o executivo, o poço custa menos de US$ 13 milhões. “Quando você coloca essas coisas na ponta, você vai ver que é um poço que se paga muito rapidamente.”
A perfuração parte do sucesso do poço Pol-L, também no Eoceno, perfurado durante a campanha de revitalização de Polvo, no ano passado. Segundo a PetroRio, em seu relatório de resultados do 1T21, a campanha “abriu uma nova fronteira de desenvolvimento em arenitos da região, tanto em Polvo como em Tubarão Martelo, em prospectos de características similares e para poços produtores (infill drilling) no reservatório”.
Para Monteiro, há a possibilidade de perfurar mais um poço antes da campanha no campo de Frade, estimada para o quarto trimestre, mas “nós queremos, inclusive, entender um pouquinho como é que esse poço [que está sendo perfurado atualmente] vai se comportar”, declarou.
Neste ano, a companhia planeja colocar o novo poço de Polvo em produção, realizar o workover do poço TBMT-8H entre maio e junho e perfurar o TBMT-10 em setembro, ambos em Tubarão Martelo, e depois começar a campanha de Frade.
No primeiro trimestre, a PetroRio foi impactada por problemas operacionais nesses três campos. Em Polvo, o FPSO afretado da BW Offshore continuou a apresentar problemas na caldeira, o que causou parada de produção por dez dias em fevereiro. Em Tubarão Martelo, houve restrição de produção no poço OGX-44HP em fevereiro e falha na bomba centrífuga submersível (BCM) do TBMT-8H no mês seguinte. Enquanto, em Frade, o poço MUP3 foi paralisado.
Assim, a companhia registrou quedas de 8% e 13% na extração de Polvo e Tubarão Martelo ante o quarto trimestre de 2020, respectivamente. Em Frade, houve incremento de 26% ante o trimestre anterior, devido principalmente ao aumento de participação da PetroRio no campo após o aval da ANP. No entanto, a produção cresceu apenas 11% quando comparada ao mesmo período de 2020, refletindo o impacto da falha no poço MUP3. Ao todo, a petroleira produziu 31,3 mil boe/dia no trimestre.
Resultado financeiro
A PetroRio registrou receita de R$ 655,3 milhões no primeiro trimestre, de acordo com a norma contábil IFRS-16, o que representa crescimento de 194% ante o mesmo período de 2020. O Ebitda ficou em R$ 448,7 milhões no trimestre, com prejuízo de R$ 65,8 milhões.
Segundo a Ativa Investimentos, a Petrorio “apresentou números superiores às nossas expectativas em função da expansão de seu portfólio e diante de resultados que enfatizam a obtenção de ganhos de escala”. A corretora atribuiu o avanço no topline e no Ebitda da companhia aos preços médios de venda favoráveis registrados em decorrência do crescimento no preço internacional do petróleo. “Após o follow-on realizado no trimestre, [a PetroRio] se encontra com dívida líquida negativa e pronta para crescer ainda mais. Esperamos uma absorção positiva dos números apresentados”, comentou.
Na última sexta-feira (30/4), a companhia comunicou o desdobramento de suas ações de emissão na razão de ⅕, implicando que cada ação emitida passará a ser representada por cinco ações. O desdobramento vale a partir de 6 de maio e, segundo a PetroRio, “tem como principais objetivos aumentar a liquidez das ações ordinárias de emissão da Companhia no mercado e possibilitar um ajuste na cotação das ações, tornando o preço por ação mais acessível a um maior número de investidores”, escreveu.
A petroleira opera os campos de Polvo (100%), Frade (100%) e Tubarão Martelo (80%), todos na Bacia de Campos. Como concessionária, possui parcelas de de 64,3% e 60% nos blocos BM-C-30 (Wahoo) e BM-C-32 (Itaipu), que ainda dependem do aval da ANP. Segundo Monteiro, a PetroRio apresentou proposta vinculante para a compra da participação da IBV Brasil Petróleo na descoberta de Wahoo, caso obtenha sucesso na aquisição, a companhia deterá 100% do bloco.
Em fase de exploração, a PetroRio detém participação nos blocos: CE-M-175 (50%), na Bacia do Ceará; FZA-M-254 (100%) e FZA-M-539 (100%), na Bacia de Foz do Amazonas.
Fonte: Revista Brasil Energia